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Pezão diz que é Dilma, mas coloca pastor no palanque

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

26 Junho 2014 | 19h 44

Candidato do PMDB no Rio afirma que não vai ‘cuspir no prato em que comeu’, referindo-se ao Planalto; presidenciável do PSC aparece em sua convenção

Atualizado às 22h57 - Rio de Janeiro - Três dias após afirmar que seu palanque será aberto a três candidatos à Presidência da República, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), prometeu nesta quinta-feira, 26, apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). “Sou Dilma. Não vou cuspir no prato em que a gente comeu por sete anos e cinco meses. Fizemos parcerias importantes no Rio. Vou trabalhar pela presidente Dilma”, disse Pezão, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PMDB), durante visita ao Complexo da Maré, na zona norte. 

À tarde, Pezão teve a candidatura à reeleição aprovada na convenção do PMDB-RJ e recebeu em seu palanque um dos três candidatos a presidente que o apoiam, o Pastor Everaldo, do PSC. Enquanto os principais líderes que discursavam tomaram o cuidado de não mencionar a disputa presidencial, Everaldo mencionou a chapa “Evezão”, lembrando a chapa “Aezão” lançada por dissidentes peemedebistas e que prega o voto em Pezão e no presidenciável do PSDB, Aécio Neves. 

“Falam de um movimento de outro candidato e você. Mas o que teremos é Everaldo e Pezão, o Evezão”, discursou Everaldo, ao mesmo tempo em que os peemedebistas riam no palanque.

Marcos de Paula/Estadão
Prefeito e governador alinharam discurso de apoio à Dilma

Sintonia. Mais cedo, enquanto Paes e Pezão fizeram agenda conjunta de lançamento de programas no Complexo da Maré, o prefeito, que chamou a aliança do DEM e do PSDB com o PMDB no Estado de “bacanal eleitoral”, procurou mostrar sintonia com o governador e disse que vai se empenhar pela eleição de Dilma e de Pezão. Logo no início de seu discurso, Paes brincou, unindo os nomes da presidente e do governador: “Quero cumprimentar o governador Dilmão, quero dizer, Pezão. É que eu não resisto”. 

“Não gosto desse movimento ‘Aezão’, acho muito ruim essa solução para a política fluminense, mas os argumentos foram dados pelo PT do Rio. Foram eles que romperam a aliança”, disse Paes. O prefeito afirmou que não fará campanha para o candidato ao Senado lançado pela coligação de Pezão, o ex-prefeito e vereador Cesar Maia (DEM), adversário ferrenho de Paes na Câmara Municipal. “Estou procurando um senador para chamar de meu”, brincou. 

Os dois aliados culparam o PT pela dissidência do PMDB. O movimento “Aezão” surgiu no início do ano, liderado pelo presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, depois do lançamento da candidatura do senador petista Lindberg Farias ao governo do Estado. Lindberg tem criticado o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), a quem acusa de ter priorizado os ricos e esquecido os pobres. O PT rompeu com o PMDB depois de sete anos de participação no governo Cabral. 

Paes disse que a formalização da aliança do DEM e do PSDB com o PMDB o fez reiterar a aliança com Dilma. “Não me engajei mais, talvez eu tenha sido mais claro na minha vocalização. Há muito tempo afirmo que meus candidatos são Dilma e Pezão. Esse movimento (“Aezão”) demandou de mim mais vocalização. Sou prefeito, tenho que tocar a cidade do Rio de Janeiro e farei campanha nas horas vagas. Minha influência sobre outros prefeitos é nenhuma. Cuidar da campanha da presidente Dilma aqui é um prazer.”

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