Carmem Pompeu/Divulgação
Carmem Pompeu/Divulgação

Pezão anuncia cortes no orçamento do Rio

Governador reeleito diz que vai 'cortar na própria carne' e diz que pretende fazer economia de até 25% nas secretarias

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2015 | 14h35

RIO - Com dificuldades financeiras até para pagar a ceia de Natal de policiais militares e bombeiros, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou que vai "cortar na própria carne" e anunciou que pretende reduzir entre 20% e 25% o orçamento das secretarias com a revisão de contratos em vigor. Saúde, Educação e Segurança sofrerão "menos" cortes, afirmou o governador em sua primeira entrevista coletiva após ter sido empossado para os próximos quatro anos.

O peemedebista também prometeu cortar em até 35% as chamadas "gratificações especiais" aos servidores. "Vamos reavaliar contratos como de aluguel de carros e telefone, e cada secretaria terá de cortar entre 20% e 25%", afirmou o governador após a cerimônia de posse, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, sede do Executivo estadual. Pezão afirmou que não haverá aumento de impostos, mas uma "tributação mais inteligente".

"Agora vocês me deem licença porque vou pegar o meu 'São Pidão' e levar para a posse da presidente Dilma (Rousseff, do PT) em Brasília", disse ao fim da entrevista o governador, que prometeu ser um "andarilho" pelos ministérios em busca de recursos. Segundo ele, a arrecadação com o ICMS em 2014, prevista para chegar aos R$ 34 bilhões, foi R$ 2 bilhões menor. A queda prevista para 2015 no repasse de royalties do petróleo, segundo o governador, será também de R$ 2 bilhões.

Pezão também anunciou que pretende, para obter mais recursos, negociar com os devedores do Estado. "Vou lutar muito pela minha receita. O Estado tem hoje uma dívida ativa de R$ 64 bilhões, isso não é normal. Dos principais devedores, vou negociar com cada empresa. Quero muito entender porque preferem entrar em litígio e com isso deixamos de recolher os impostos". Sem dizer os nomes, Pezão afirmou que três empresas, de setores como comunicações e alimentos, detém grande parte da dívida. Perguntado sobre qual seria a participação da Petrobrás, o governador afirmou que era um "valor significativo", sem entrar em detalhes.

O peemedebista também defendeu o reajuste no valor das passagens de trens, metrô e barcas: "Não dá para ficar fazendo graça e quebrar quem está operando o sistema. Eu tenho contratos para cumprir".

A crise nas UPPs e a volta do crescimento dos índices de criminalidade também foram tema da entrevista. Segundo Pezão, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, vai anunciar amanhã novas ações. O governador não quis entrar em detalhes sobre as medidas, mas uma delas será a ocupação do Morro do Banco, no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, por uma unidade destacada da Polícia Militar, um espécie de "mini" Unidade de Polícia Pacificadora "A segurança continua sendo nossa prioridade", afirmou.

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