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Petrobrás ignorou alerta de consultoria sobre estoque de Pasadena

Sabrina Valle e Vinícius Neder

03 Abril 2014 | 07h 34

Em relatório, avaliação feita por empresa afirma que estoques da refinaria, comprados pela estatal por US$ 170 milhões, valiam US$ 6,1 milhões

RIO - Ao comprar 50% da refinaria de Pasadena em 2006, a Petrobrás pagou US$ 170 milhões pelos estoques da unidade, enquanto eles valiam, na mesma época, apenas US$ 6,1 milhões, segundo avaliação da BDO Seidman.

A consultoria foi contratada pela estatal brasileira para analisar a oportunidade de investimento. No relatório que produziu, a BDO Seidman diz que os estoques custavam US$ 22,5 milhões quando a Astra Oil comprou a refinaria, em janeiro de 2005. Já em 31 de dezembro daquele ano, os estoques haviam caído para US$ 6,1 milhões.

"Isso significa que a refinaria está operando em capacidade menor?", questiona a BDO Seidman, entre cerca de 40 críticas ou recomendações sobre a documentação analisada. No mesmo relatório, a consultoria especializada em auditoria acusa a falta de tempo para analisar corretamente o negócio.

O relatório é datado de 30 de janeiro de 2006. Documentos da Petrobrás mostram que a empresa já pretendia pagar US$ 170 milhões pelos estoques antes do relatório. Após o alerta, a estatal manteve o preço, segundo documento interno da diretoria da área internacional, de 2 de fevereiro de 2006 e assinado pelo departamento de Desenvolvimento de Negócios, subordinado ao então diretor Nestor Cerveró.

Esse documento embasou o resumo levado por Cerveró ao Conselho de Administração em fevereiro de 2006, quando a operação foi aprovada, inclusive com a anuência da então presidente do órgão, a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O valor total pago por 50% da refinaria, de US$ 360 milhões, inclui US$ 190 milhões por 50% das ações e ainda US$ 170 milhões pelos estoques da refinaria. Depois, a Petrobrás foi obrigada a ficar com toda a unidade.