Petista deu endosso a entidade de fachada

Instituto avalizado pelo deputado Geraldo Magela (DF) recebeu mais de R$ 500 mil em repasses do Ministério da Cultura

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo,

07 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - O deputado federal Geraldo Magela (PT-DF) assinou uma "declaração de funcionamento" para ajudar uma instituto de fachada a receber R$ 532 mil de um convênio do Ministério da Cultura liberado com dinheiro de emenda parlamentar do senador Gim Argello (PTB-DF).

 

O instituto Integração Brasileira de Educação, Saúde e Turismo (Inbraest) inseriu, no processo de um convênio do governo, uma carta em que Magela afirma que a entidade "vem funcionando regulamentarmente" há mais de três anos em Brasília. "Sendo uma empresa idônea", afirmou, segundo documento com data de 17 de maio deste ano.

 

O deputado disse ao Estado que não conhece o Inbraest. "Um assessor meu me apresentou os documentos do instituto e, como estavam todos corretos formalmente, assinei a declaração", disse.

 

O parlamentar petista nega que tenha recebido algum pedido especial do próprio Gim, que renunciou à relatoria do Orçamento após o escândalo de ligações com entidades fantasmas.

 

Uma rádio do filho do senador aparece entre os "apoiadores" do evento do Inbraest, realizado em setembro em Brasília. Essa mesma rádio recebeu R$ 500 mil em emendas de Gim repassado a outro instituto, o Recriar.

 

Com o convênio aprovado pelo governo, o Inbraest repassou recursos do contrato para a RC Assessoria e Marketing, empresa de fachada que está em nome de dois laranjas: um jardineiro e um mecânico. Mas não foi a RC a produtora do evento. Coube à empresa Cleo Diaz Produções a execução da tarefa.

 

Em entrevista ao Estado, o presidente da Inbraest, Randerson Oliveira, afirmou que sua entidade repassa recursos a seus próprios integrantes e disse que estava "vagabundo", vivendo às custas do instituto, sediado numa sala de fisioterapia.

 

Diretora da entidade, Alessandra Quevedo divulgou nesta terça-feira uma nota oficial em que defende o Inbraest, dizendo que "os dirigentes da entidade são pessoas idôneas.

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