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Pesquisa mostra que 68% dos eleitores são favoráveis ao impeachment

- Atualizado: 19 Março 2016 | 19h 20

O resultado registra oito pontos acima do porcentual verificado em pesquisa em fevereiro

São Paulo - O apoio popular ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) bateu recorde após os desdobramentos da crise política nesta semana. Pesquisa Datafolha realizada entre quinta e sexta-feira e divulgada nesta tarde apontou que 68% dos eleitores brasileiros são a favor do seu afastamento – um crescimento de 8 pontos porcentuais desde a última pesquisa, feita em fevereiro.

Já a taxa dos que são contrários ao impeachment caiu de 33% naquele mês para 27% em março. Para efeito de comparação, o mesmo instituto mediu 75% de apoio ao afastamento de Fernando Collor em setembro de 1992, um mês antes da abertura do processo contra o ex-presidente. Naquela época, 18% diziam ser contra o impeachment. A taxa de erro de ambas as pesquisas é de 2 pontos porcentuais.

Também houve crescimento de outros indicadores negativos para a petista, segundo o Datafolha. A taxa dos que acham que ela deve renunciar à Presidência, por exemplo, passou de 58% em fevereiro para 65% neste mês. Além disso, a reprovação ao seu governo voltou a atingir o recorde negativo: 69% dos eleitores brasileiros avaliam sua administração como ruim ou péssima. O número está dentro da margem de erro dos 71% de reprovação registrados em agosto de 2015, o pior índice já registrado para um presidente desde 1989, de acordo com o instituto.

O levantamento captou que, na percepção do brasileiro, está cada vez mais provável que Dilma seja de fato afastada. Independentemente da sua posição sobre o assunto, apenas 47% dos eleitores acreditam que a presidente não sofrerá impeachment, porcentual que era de 60% em fevereiro. Há, porém, pouca esperança na capacidade do vice-presidente Michel Temer (PMDB) de conseguir fazer uma boa gestão no caso de afastamento: só 16% dizem acreditar que um possível governo do peemedebista será ótimo ou bom.

Lula. A pesquisa também apontou um cenário sombrio para a reputação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A popularidade do petista atingiu o seu pior patamar desde sua primeira disputa à Presidência, também em 1989. Desta vez, 57% dos eleitores afirmaram que não votariam de jeito nenhum no petista se as próximas eleições presidenciais fossem hoje. A rejeição é menor entre os mais pobres (49%) mas atinge 74% entre os que recebem dez ou mais salários mínimos por mês. 

Ao mesmo tempo, a maioria dos eleitores enxergam a nomeação de Lula como ministro como apenas um artifício para que o ex-presidente obtivesse foro privilegiado e escapasse do alcance do juiz federal Sérgio Moro. Segundo o instituto, 68% dos eleitores têm essa opinião, contra 19% que acreditam que o principal propósito da nomeação foi para que Lula ajudasse a salvar o governo. O convite de Dilma ao ex-presidente conseguiu atingir taxa de reprovação ainda maior: 73% dizem que ela agiu mal ao convidá-lo a assumir um cargo em sua equipe de ministros. 

Quem parece estar se dando melhor com a crise política nos olhos da opinião pública é a ex-senadora Marina Silva, da Rede. Ela aparece liderando numericamente a corrida presidencial de 2018 nos três cenários pesquisados, em que foram os candidatos do PSDB são Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. No caso do senador mineiro, o melhor colocado entre os tucanos, Marina, Aécio e Lula aparecem empatados dentro da margem de erro de 2%, nesta ordem. Eles têm, respectivamente, 21%, 19% e 17% de intenção de voto, segundo o instituto. Já quando o candidato do PSDB é Serra ou Alckmin, Lula pula para o segundo lugar na preferência do eleitorado. Apesar disso, o petista perdeu pontos além da margem de erro em todos os cenários pesquisados em comparação com a pesquisa de fevereiro.

Esse cenário negativo, porém, não retirou de Lula o título de melhor presidente da história do Brasil, ao menos na opinião espontânea dos eleitores. Mais de um terço deles (35%) afirmou que o petista está na frente de todos os outros ex-mandatários – índice que era de 39% em novembro do ano passado e que já chegou a ser de 71% em 2010, no último ano de gestão do petista. 

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