‘Personalismo’ de Alckmin abre crise

Em encontro no sábado, caciques tucanos criticaram composição do primeiro escalão estadual e saída de Paulo Renato da Educação

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo,

20 Dezembro 2010 | 22h01

SÃO PAULO - As nomeações do secretariado do futuro governador Geraldo Alckmin causaram irritação na cúpula do PSDB e abriram a primeira crise desde que o tucano venceu as eleições em outubro passado.

 

Os principais líderes do partido encontraram-se na noite de sábado, num evento da Secretaria de Cultura em homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no qual criticaram a composição do governo Alckmin. Chamaram de "personalistas" as indicações e avaliaram que o futuro governador teria desconsiderado opiniões das demais lideranças do PSDB.

 

Além de Fernando Henrique, participaram do encontro o atual secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, o governador Alberto Goldman, o presidente do Diretório Municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, o secretário de Relações Institucionais, Almino Afonso, o deputado Arnaldo Madeira e o secretário paulistano dos Direitos Humanos, José Gregori. O ex-governador José Serra, candidato derrotado à Presidência, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) apareceram no final do evento.

 

O descontentamento dessa ala do partido começou com a decisão de Alckmin de não manter Paulo Renato Souza na Secretaria de Educação. Fernando Henrique havia feito o pedido a ele, num almoço há cerca de 15 dias. O futuro governador resolveu trocar o titular da pasta e o ex-presidente teria ficado sabendo pelos jornais.

 

A cúpula do PSDB queria que a pasta da Educação fosse mantida com um quadro do partido. Como forma de sobreviver na oposição, a legenda pretende explorar suas bandeiras sociais, e a educação seria uma delas - Alckmin indicou para o posto o reitor da Unesp, Herman Voorwald.

 

Chalita

 

A ida de Alckmin a um jantar organizado pelo ex-secretário da Educação Gabriel Chalita, dia 11, em homenagem ao dramaturgo Walcyr Carrasco, foi interpretada como a primeira sinalização de que o governador eleito não atenderia aos pleitos internos. Chalita é desafeto de tucanos ligados a Serra, fez campanha de oposição ao PSDB na eleição presidencial e era um dos principais críticos da atual política educacional do Estado. No jantar, estavam alguns dos cotados à época para assumir a Educação no lugar de Paulo Renato.

 

As principais pastas do secretariado de Alckmin foram ocupadas por tucanos ligados historicamente a ele. A indicação de Andrea Calabi, próximo de Fernando Henrique e Serra, não foi vista como uma concessão aos aliados do ex-presidente e do ex-governador - Calabi tem boa relação com Alckmin, de quem foi secretário de Economia e Planejamento.

 

Em 2008, Alckmin foi um dos protagonistas de um racha no partido, quando se lançou candidato a prefeito sem o apoio de todo o PSDB paulista. Desde então, o tucano tentou reconstruir a ponte com os principais líderes tucanos, entre os quais Serra.

 

Almoço

 

A bancada de deputados eleitos do PSDB paulista reuniu-se ontem para reafirmar a indicação do deputado Duarte Nogueira como próximo líder do partido na Câmara.

 

No encontro, do qual participou o futuro secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, os tucanos também discutiram o racha na bancada do PT para indicar o presidente da Câmara no ano que vem. Tucanos pretendem deixar a porta aberta para os petistas que são contra a indicação do deputado Marco Maia (PT-RS).

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