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Perplexo, PT ataca oposição e defende estatal

O Estado de S. Paulo

21 Março 2014 | 23h 58

Em documento, sigla diz que Petrobrás foi ‘alvo’ de privatizações do PSDB e tira Dilma do debate

Brasília -  A forma como a presidente Dilma Rousseff tem conduzido o episódio sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, pela Petrobrás causou perplexidade e mal-estar no PT, segundo integrantes da direção do partido. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também manifestou descontentamento com a reação da presidente ao episódio.

Reunida nesta sexta-feira, 21, em Brasília, a cúpula petista teve dificuldades de encontrar um modelo de resolução - documento oficial da legenda - para tratar do assunto. No fim, prevaleceu a tentativa de minimizar o impacto dos desgastes do Planalto.

A ideia, a princípio, é concentrar a crise apenas na Petrobrás, com ataques à oposição, e excluindo Dilma do debate. "Mais uma vez estamos presenciando a oposição e os setores conservadores da nossa sociedade fazer ataques para atingir a imagem da Petrobrás. É importante relembrarmos que a nossa maior empresa pública foi alvo da política de privatizações no governo liderado pelo PSDB, apoiado pela elite nacional, representado por FHC", diz trecho do documento divulgado nesta sexta.

"O partido não vai fazer um jogo do PSDB que quer colocar a presidente Dilma no centro do palco. O PT não vai entrar nesse jogo. O povo brasileiro quer discutir política no sentido mais amplo da palavra. Eles insistem no mesmo erro de 2006 e 2010, que é acreditar que essa via denuncista faz o partido crescer", afirmou o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que participou do encontro em Brasília.

Nos bastidores, os líderes petistas críticos ao estilo de Dilma classificaram a resposta da presidente dada na terça-feira como mais um episódio no "conjunto da obra" de supostas inabilidades políticas da presidente, ao lado da crise com o PMDB na Câmara e a reforma ministerial. Em conversas reservadas, os críticos de Dilma usaram termos como "sincericídio" e "desastre".

Na terça-feira a presidente enviou uma nota oficial ao Estado para comentar a notícia de que ela votou a favor da compra da usina em Pasadena gerando prejuízo de US$ 1 bilhão à Petrobrás. Na nota, a presidente disse que só aprovou a compra porque recebeu "informações incompletas" e uma "documentação falha" e que se tivesse todos os dados "seguramente" a compra não teria sido aprovada.

Para os petistas, a resposta amplificou o problema em vez de resolvê-lo. Entre os descontentes com a resposta de Dilma está Lula. O ex-presidente desaprovou a estratégia adotada por sua sucessora porque, segundo pessoas próximas a ele, é praticamente uma confissão de ineficiência.

Participantes da reunião do Diretório Nacional do PT não esconderam a insatisfação. "Não estou dizendo que é uma situação agradável. Não é. Mas é uma disputa política e dentro disso vamos tratar a situação como tal. Não podemos sair dessa realidade. Se houve uma inabilidade, o governo tem que saber se posicionar", afirmou o deputado federal José Mentor (SP) que participou do encontro.

Mensalão. A resolução de desta sexta do PT também traz trecho em que o partido comemora a absolvição de integrantes do partido pelos crimes de formação de quadrilha e lavagam de dinheiro no processo do menslão. Também rebate as denúncias de que os petistas presos no julgamento estariam recebendo privilégios na cadeia. "São denúncias forjadas sobre privilégios inexistentes". / RICARDO GALHARDO, ERICH DECAT E RICARDO DELLA COLETTA