Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pelo segundo ano consecutivo, 'Estado' vence principal prêmio de jornalismo do País

'Farra do Fies' ganha categoria mais importante do ExxonMobil, que também contempla fotografia de Dilma e especial sobre Amazônia

O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 12h48

O Estado venceu três categorias do Prêmio ExxonMobil de 2015, o mais tradicional da imprensa brasileira. Os ganhadores da 60.ª edição do prêmio foram anunciados nesta segunda-feira, 19, no Rio. Paulo Saldaña, Rodrigo Burgarelli e José Roberto de Toledo conquistaram a categoria principal com o trabalho Farra do Fies. O fotógrafo Dida Sampaio foi duplamente premiado, nas categorias Fotografia, com a imagem da presidente Dilma Rousseff pedalando diante de uma placa com a inscrição Lava Jato Planalto; e na Regional Sudeste, pelo especial Favela Amazônia, da qual foi vencedor em parceria com o repórter Leonencio Nossa. Os vencedores serão homenageados no dia 12 de novembro.

Publicado em fevereiro, a série de reportagens Farra do Fies investigou as mudanças ocorridas no programa de financiamento estudantil em 2010. A comissão responsável pelo prêmio destacou o fato de o especial trazer, além de entrevistas e análises de documentos, o cruzamento de grandes bancos de dados, como o Censo de Educação Superior e o Portal da Transparência, além de registros de mais de 300 instituições de ensino. "O esforço revelou, entre outros aspectos até então ocultos, que o programa consumiu R$ 28 bilhões em quatro anos, endividando alunos que dificilmente terão condições de ressarcir os cofres públicos", salienta o anúncio da premiação.

É o segundo ano consecutivo que o Estado vence a principal categoria do prêmio. Em 2014, o repórter Leonencio Nossa foi agraciado pelo caderno especial Sangue Político, que mostrou a violência na base da política brasileira e compilou 1.133 assassinatos desde a Lei da Anistia, de agosto de 1979, até outubro de 2013 relacionados à disputa de poder político.

Na categoria Fotografia, Dida Sampaio foi o vencedor com a imagem na qual Dilma pedalava nos arredores do Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência. Ao fundo, havia uma placa com a inscrição Lava Jato Planalto, uma alusão à operação de combate à corrupção na Petrobrás e ao Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo.

O fotógrafo da sucursal de Brasília também foi contemplado pelo especial Favela Amazônia, publicado em julho. Dida Sampaio e Leonencio Nossa mostraram, em investigação jornalística própria, o avanço do tráfico de drogas, da criminalidade e das violações de direitos humanos na Região Norte do País. O levantamento da dupla, que já havia vencido outro tradicional prêmio da imprensa brasileira, o Vladimir Herzog, apontou que 37,4% dos moradores das maiores cidades amazônicas vivem em área de tráfico.

Ao todo, o Prêmio ExxonMobil contemplou 14 trabalhos jornalísticos, além de prestar uma homenagem especial à figura do repórter como distinção de Melhor Contribuição à Imprensa. Os jurados destacaram que "o jornalismo depende fundamentalmente do Repórter", e que a homenagem se estende "aos autores dos 1.021 trabalhos inscritos para a 60ª edição da premiação, aos milhares de ex-participantes ao longo de seis décadas e aos que levarão adiante a bandeira do Jornalismo".

Também foram agraciados neste ano o jornal O Globo, com o prêmio de Reportagem pela série Anda e Para, que destrinchou os entraves da mobilidade urbana no País e os prejuízos econômicos, sociais e ambientais; a TV Folha, como Melhor Contribuição ao Telejornalismo, pela reportagem Boyhood Bolsa Família, que acompanhou por 10 anos famílias beneficiadas pelo programa de distribuição de renda; e a TV Record, na categoria Telejornalismo, pelo trabalho As Eternas Escravas, que denunciou a escravidão de crianças no entorno de Brasília e motivou a criação de uma CPI na Assembleia Legislativa de Goiás.

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