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Márcio Fernandes|EStadão

Pedalinhos em sítio usado por Lula foram comprados por assessor da Presidência

Nome do subtenente do Exército Edson Antonio Moura Pinto consta em nota fiscal de brinquedos que têm capas com os nomes de dois netos do ex-presidente

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O Estado de S.Paulo

01 Março 2016 | 19h51

A nota fiscal de compra dos dois pedalinhos com capas com os nomes dos netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estão no lago do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, foi emitida no nome de um subtenente do Exército e assessor especial da Presidência destacado para prestar serviço ao petista. De acordo com documento revelado pelo site O Antagonista, os brinquedos foram adquiridos por Edson Antonio Moura Pinto no dia 19 de dezembro de 2013 junto à fábrica Ipê Fibra de Vidro, em São Lourenço (MG), e custaram R$ 5,6 mil.

Apesar de o sítio Santa Bárbara estar no nome de dois empresários, Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios do filho de Lula, investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato suspeitam que o imóvel na verdade seja do ex-presidente. O local é frequentado pela família do petista e serviu de abrigo de 200 caixas de pertences do ex-presidente quando ele deixou o Palácio do Planalto 2011. De acordo com documentos obtidos pela Polícia Federal, a reforma do sítio foi paga pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo pessoal de Lula.

O Instituto Lula confirmou que o subtenente Edson Moura efetuou a compra, mas ressalta que não foram utilizados recursos públicos na aquisição. Segundo o instituto, quem pagou pelos pedalinhos foi dona Marisa Letícia, esposa de Lula. O instituto afirmou ainda que o subtenente que efetuou a compra exerce cargo de livre provimento para ex-presidentes e, portanto, estava dentro de suas funções quando efetuou a compra dos pedalinhos. O instituto afirma ainda que Lula e Dona Marisa não são donos do sítio, que pertenceria a amigos que ofereceram ao casal um local de descanso que pudessem frequentar.

Em ação civil protocolada na última sexta-feira, 26, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do ex-presidente afirmou que o sítio foi comprado pelo amigo e ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PT), em 2010, para que as duas famílias pudessem “conviver” e para que ele pudesse “acomodar objetos” recebidos do “povo brasileiro” pelo ex-presidente durante seus dois mandatos.

Na segunda-feira, 29, onze procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato afirmaram ao STF que investigam ‘supostas vantagens indevidas’ a Luiz Inácio Lula da Silva no período em que ele exercia o mandato de presidente.

Para a defesa ‘é descabido e censurável a afirmação de que haveria suspeita de que o ex-presidente Lula teria recebido vantagens ilícitas durante o “mandato presidencial”, pois não há qualquer elemento concreto que possa dar suporte a essa afirmação, senão um exacerbado entusiasmo associado a um pensamento desejoso (wishful thinking)’.

Nesta terça-feira, 1, advogados de Lula protocolaram nova petição no Supremo Tribunal Federal (STF) em que pedem à ministra Rosa Weber que analise o pedido de liminar para suspender os procedimentos investigatórios sobre o sítio de Atibaia e o apartamento tríplex na praia do Guarujá – outro imóvel sob suspeita da força-tarefa de que seja do petista – até que a Corte defina quem pode cuidar do caso, o Ministério Público Federal ou o Ministério Público do Estado de São Paulo. O Instituto Lula também nega ser dono do imóvel no Guarujá.

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