Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Patrimônio de Eduardo Cunha aumentou 214% em 12 anos, aponta PGR

Procuradoria encaminhou ao Supremo novo pedido de bloqueio de contas bancárias que seriam mantidas na Suíça pelo peemedebista 

Carla Araújo, Gustavo Aguiar, Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 12h15

Brasília - A Procuradoria-Geral da República apontou que a evolução patrimonial do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi de 214% em 12 anos. A informação baseia o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) de um novo bloqueio de duas contas bancárias mantidas no Banco Julius Bäer atribuídas ao peemedebista. Uma das contas está em nome da esposa de Cunha, Cláudia Cordeiro Cruz. 

De acordo com a PGR, a solicitação de sequestro dos valores é necessária já que o processo foi encaminhado pela Suíça ao Brasil e há "a possibilidade concreta de que ocorra o desbloqueio das contas, com a consequente dissipação dos valores depositados nas contas bancárias estrangeiras". O processo foi transferido para a PGR já que o presidente da Câmara é brasileiro, está no País e não poderia ser extraditado para a Suíça. 

No pedido, o procurador-geral da República em exercício, Eugênio Aragão, diz que não há dúvidas em relação à titularidade das contas. "Há cópias de passaportes - inclusive diplomáticos - do casal, endereço residencial, números de telefones do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto", diz. Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente 16 milhões de dólares.

Patrimônio. A Procuradoria-Geral da República aponta a evolução patrimonial de 214% de Cunha entre os anos de 2002 e 2014. Atualmente, o patrimônio declarado do presidente da Câmara é de R$ 1,6 milhão, de acordo com declaração feita à Justiça Eleitoral. Em 2002, o valor declarado era de R$ 525.768,00. Para Aragão, há indícios suficientes de que as contas no exterior não foram declaradas e, ao menos em relação a Eduardo Cunha, "são produto de crime".

O bloqueio das contas ainda precisa ser autorizado pelo ministro do STF, Teori Zavascki. Nesta quinta-feira, 15, o ministro autorizou abertura de um novo inquérito contra Cunha, que também vai investigar a esposa e uma das filhas do parlamentar. O pedido de investigação, feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem como base os documentos que mostram que Cunha, a filha dele, Danielle da Cunha, e a esposa são beneficiários finais em contas secretas na Suíça. Pesa contra o peemedebista as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os documentos foram enviados pelo Ministério Público da Suíça ao Brasil e revelam que um negócio da Petrobras em Benin, na África, irrigou as contas do parlamentar e de seus familiares. As autoridades do país europeu bloquearam em abril um valor que, em reais e no câmbio atual, chega a aproximadamente R$ 9,6 milhões. 

Além das contas que são objeto do inquérito, outras duas que tinham como beneficiário Cunha foram mencionadas pela Suíça: Orion SP e Triumph SP. Ambas foram fechadas pelo investigado um pouco depois da deflagração da Operação Lava Jato. 

Mais conteúdo sobre:
operação lava jato eduardo cunha PGR

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.