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Partidos aliados isolam PT e articulam bloco descontente

ERICH DECAT - Agência Estado

20 Fevereiro 2014 | 19h 25

Insatisfeitos com a relação com o Palácio do Planalto e o PT, um grupo de oito partidos da base aliada resolveu formar um "bloco informal" na Câmara dos Deputados para se contrapor ao governo e estabelecer as próprias prioridades de votações na Casa.

Os acertos de como será a condução da "bancada dos descontentes" foi feito em jantar realizado nesta quarta-feira, 19, em Brasília no apartamento funcional do deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG) e contou com a presença do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), e lideranças das legendas PP, PR, PSD, PDT, PTB, PROS, PSC e do partido de oposição Solidariedade. Um novo encontro já está marcado para a próxima terça-feira, 25.

O novo grupo conta com 278 deputados, número suficiente para impor maioria em votações no plenário. "Há uma insatisfação muito grande com o governo. Os partidos estão se sentido enfraquecidos. O governo tem tudo. O PT tem tudo e a base nada" afirmou o anfitrião do jantar, Luiz Fernando Faria.

Presente ao encontro, o líder do PSD, deputado Moreira Mendes (RO), também não poupou críticas. "A maioria aqui da Casa vai disputar eleição daqui a oito meses. O que vamos levar?", ponderou. "O pessoal do PT sabe tudo. Sabe quando o maquinário de um ministério vai ser entregue, por exemplo, e sai na frente e vai lá e entrega (no município). Isso é desleal", acrescentou.

As queixas de integrantes da base se assemelham ao discurso do PMDB que, desde o início do governo Dilma, adotou o mote de que a base chega até a ter "ministro mas não tem ministério". As principais críticas se concentram no fato de que os programas de maior relevância do governo estão concentrados nas pastas comandadas pelo PT. E que, em razão do esvaziamento dos demais ministérios, pouco poderá ser apresentado como projeto de interesse dos cidadãos na próxima disputa eleitoral. "O sentimento colocado no jantar de ontem é que, dessa forma, o PT vai fazer uma bancada de 100, 120 deputados, enquanto que os demais partidos serão enfraquecidos", disse o deputado Luis Fernando Faria.

A preocupação com o tamanho da bancada da Câmara deve-se em parte ao fato de que tanto a divisão do Fundo Partidário quanto o tempo de programa de TV são baseados pelo número de deputados eleitos.

No jantar de ontem, também ficou acordado que não será aceito acertos individuais dos partidos com o Palácio. A ideia é evitar que o governo neutralize o grupo, resolvendo questões pontuais de cada legenda.

Apesar do surgimento do "bloco informal", não haverá uma oposição direta ao Palácio, mas a busca por independência na discussão de votação das prioridades. No encontro, também não teria sido discutida a possibilidade de debandada da aliança pela reeleição de Dilma neste ano.