Parlamentares tentam votar hoje Orçamento em plenário

Apesar de ter sido aprovado na Comissão Mista do Orçamento (CMO) no final da manhã de hoje, parlamentares do governo e da oposição buscam entendimento para conseguir aprovar ainda hoje a peça orçamentária de 2011 no plenário. O início da sessão estava marcado para as 14 horas. O principal embate está no fato de o governo poder remanejar livremente 30% dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que corresponde a cerca de R$ 12 bilhões.

EDNA SIMÃO, Agência Estado

22 Dezembro 2010 | 14h15

O governo conseguiu manter essa possibilidade no texto aprovado pela comissão, mas a oposição vai tentar derrubar isso em plenário. Segundo o vice-líder do governo no Congresso Nacional, Gilmar Machado (PT-SP), que está cuidando das negociações para o governo, depois da aprovação na comissão, uma nova discussão começa no plenário.

"Nós terminamos a votação na comissão; agora começa outra rodada de negociações porque para o governo a coisa mais importante é votar primeiro a mudança na LDO para exclusão da Eletrobras do superávit", afirmou Machado. "Nós estamos trabalhando em um acordo. Cada momento aqui é uma negociação. Depois vamos trabalhar o Orçamento que agora ficou um pouco mais tranquilo", acrescentou, informando ainda que, até a meia-noite, pretende votar cerca de R$ 39 bilhões em créditos. Machado afirmou ainda que está certo que vai conseguir aprovar o Orçamento este ano para que "a presidente Dilma comece bem" 2011.

Para o deputado Rogério Marinho (PSDB), a possibilidade de o governo remanejar 30% do PAC é excessiva. "O governo descumpre a lei que prevê que trimestralmente sejam encaminhados à comissão os remanejamentos feitos e ele não tem cumprido a lei. Acho que nós somos culpados; o Legislativo precisa cumprir seu papel de fiscalizar e cobrar. Hoje temos um consenso retórico", afirmou Marinho.

Pontos principais do Orçamento

O relatório aprovado hoje na comissão mantém o corte de R$ 3,368 bilhões nos recursos do PAC, que recuaram de R$ 43,518 bilhões para R$ 40,150 bilhões. Foi incluído no texto da proposta orçamentária uma autorização para que o Ministério do Planejamento faça a recomposição no decorrer do ano. Esse mesmo tratamento foi dado para a reposição de R$ 3 bilhões cortados dos ministérios.

Para conter as pressões do Judiciário, que quer um aumento médio de 56%, a relatora-geral Serys Slhessarenko (PT-MT) faz uma menção em seu texto que abre a possibilidade de o governo direcionar recursos para essa finalidade. Porém não foram citados valores.

No caso do salário mínimo, para impedir que o PDT atrapalhasse as votações, o deputado Gilmar Machado se comprometeu em reservar R$ 6,6 bilhões, sendo R$ 5,6 bilhões para o aumento do mínimo e das aposentadorias e R$ 1 bilhão para o Bolsa Família. "Isso vai dar condições deles (centrais sindicais) negociarem um novo valor", afirmou. Os R$ 5,6 bilhões, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (da Força Sindical), garantiriam um aumento do mínimo para R$ 560,00 e um reajuste para os aposentados que recebem mais que o mínimo de 7,5%. Os trabalhadores querem, no entanto, um mínimo de R$ 580,00 e um aumento para os benefícios previdenciários de 10%.

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