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Para vice-líder do governo, vazamento de documentos sobre Jaques Wagner é 'seletivo e criminoso'

Paulo Pimenta afirma que ação é estratégia da oposição em conjunto com a Polícia Federal para desgastar imagem do ministro da Casa Civil

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Isabela Bonfim,
O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2016 | 19h28

BRASÍLIA - O vice-líder do governo no Congresso, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), classificou como “seletivo e criminoso” o vazamento de informação que indicam a mediação do então governador da Bahia e atual ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, a favor de empreiteiros. “Há um vazamento seletivo dentro da Polícia Federal que cria uma relação perversa na condução das investigações. Esse vazamento é criminoso”, afirmou.

Interceptações de mensagens de celular às quais o Estado teve acesso indicam que Wagner teria ajudado o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, a negociar liberação de pagamento com o Ministério dos Transportes em 2014. As mensagens também apontam supostas tratativas envolvendo Wagner, então governador da Bahia, de financiamento de campanhas da eleição municipal de Salvador em 2012.

Na tarde desta quinta-feira, 7, deputados de oposição anunciaram que vão entrar com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a atuação do ministro Jaques Wagner.

'Factoides'. “A primeira investigação que tem que se fazer é sobre os vazamentos seletivos da Polícia Federal. É um documento que estava sob sigilo e não tinha sequer chegado ao Ministério Público Federal e ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou Paulo Pimenta em resposta à oposição. Na opinião do petista, o vazamento é uma tentativa de desgastar a imagem do ministro com a criação de “factoides”.

Ainda segundo Paulo Pimenta, a ação é uma estratégia da oposição em conjunto com a Polícia Federal. “Estou convencido de que há um jogo combinado entre setores da PF e da oposição, com vazamentos seletivos”, afirmou. Ele fez um paralelo com estratégias descritas na Operação Mãos Limpas, que investigou ações de corrupção sistêmica na Itália entre 1992 e 1994, e é semelhante à Lava Jato. “É uma estratégia em que se escolhe alguns documentos para serem vazados e, a partir do momento que os documentos são publicados, eles ganham uma credibilidade pública que justifica uma ação do órgão que vazou”, exemplifica.

Para o deputado, entretanto, a imagem do ministro Jaques Wagner não será atingida pelo ocorrido. Ele defende também que não há ilegalidades nas negociações do ministro. “Não há absolutamente nada no que foi publicado que sugira algum tipo de irregularidade ou ilegalidade. Na realidade, se tratam de suposições. Qualquer governador, prefeito ou liderança pedir apoio é algo que faz parte do processo democrático, é uma conduta comum de lideranças do governo e de oposição”, argumenta.

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