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Para PT, objetivo real era buscar subtração, ocultação de provas

Petistas comparam o caso com o do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto que primeiro foi alvo de uma condução coercitiva

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Ricardo Galhardo,
O Estado de S.Paulo

08 Março 2016 | 06h22

Dirigentes do PT e interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a ofensiva da Operação Lava Jato contra o petista pode ainda não ter acabado. Desde sexta-feira, quando o ex-presidente foi levado pela Polícia Federal para prestar depoimento, petistas comparam o caso com o do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto que primeiro foi alvo de uma condução coercitiva, em fevereiro do ano passado, e menos de dois meses depois estava preso.

Pessoas próximas a Lula que acompanharam as ações da PF na Operação Aletheia – 24ª fase da Lava Jato – ficaram com a impressão de que o objetivo real dos investigadores não era encontrar registros de repasses da empreiteiras investigadas, mas procurar indícios de subtração de documentos ou ocultação de provas que pudessem justificar um pedido de prisão de Lula sob alegação de obstrução à Justiça.

Para aliados do ex-presidente, o fato de a Lava Jato ter feito uma busca e apreensão no apartamento da ex-deputada Clara Ant, diretora do Instituto Lula, que não é investigada pela PF, é um forte indício que sustenta a tese.

“Estão tentando construir a ideia de ocultação de provas e obstrução da Justiça. Além de ser desprezível, isso não se sustenta juridicamente”, disse o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do setorial jurídico do PT.

Interlocutores de Lula avaliam também que o ímpeto da Lava Jato contra o ex-presidente arrefeceu no final de semana em função da reação desfavorável de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à ação que teve Lula como alvo. De acordo com fontes do Judiciário, o descontentamento dos integrantes do Supremo com a condução coercitiva de Lula ficou clara durante o jantar de aniversário do ministro Luís Carlos Barroso, no sábado.

Para petistas, a nota emitida pelo juiz Sérgio Moro, também no sábado, foi um sinal de que o responsável pela Lava Jato na primeira instância sentiu a reação. No texto, Moro diz que o pedido para a condução coercitiva partiu do Ministério Público Federal e reafirma que a ação não significa uma “antecipação de culpa” de Lula.

Pessoas com acesso à Lava Jato lembram que o peso político de Lula é infinitamente maior do que ao de Vaccari, o que ensejaria mais cautela por parte de Moro em um possível pedido de prisão do ex-presidente.

O entorno de Lula, no entanto, não descarta novas investidas dos investigadores. Segundo um colaborador, o Instituto Lula continua “no olho do furacão”.

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