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Para presidente do Senado, CPI da Petrobrás pode virar 'palanque eleitoral'

Débora Álvares e Erich Decat

26 Março 2014 | 15h 11

Renan Calheiros (PMDB-AL) é contrário à criação de comissão para apurar compra de refinaria; na Câmara, 105 deputados já manifestam apoio à investigação, 28 deles são peemedebistas

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta quarta-feira, 26, que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra da refinaria em Pasadena, no Texas (EUA), pela Petrobrás seria "erguer um palanque eleitoral em cima" da estatal. "Não acredito que teremos CPI porque ela só se justifica quando os canais de investigação normais estão emperrados e não é esse o caso", afirmou o senador.

Na semana passada, o Estado revelou que a presidente Dilma Rousseff deu aval à transação de compra da refinaria, o que custou à Petrobrás R$ 1,18 bilhão à estatal. Na época, em 2006, a presidente era ministra-chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. A própria Dilma justificou seu voto alegando ter sido baseado em um resumo "falho" e "incompleto".

O caso já é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pelo Ministério Público Federal (MPF), pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal. "Precisamos é cobrar o andamento das investigações que já estão em andamento", destacou Renan.

Nessa terça, 25, a oposição começou a recolher assinaturas para a instauração de uma CPI mista da Petrobrás. Para isso, é necessário ter o apoio de 27 senadores e de 171 deputados. Até o momento, 20 senadores e 105 deputados já assinaram o requerimento que pede a investigação. Os defensores da comissão, liderados pelo presidente do PSDB e pré-candidato à Presidência, senador Aécio Neves (MG), acreditam que até o fim do dia devem conseguir o número necessário. Os governistas, contudo, intensificaram nesta quinta os trabalhos contra a CPI.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), protagonista da recente crise entre o governo e o partido, afirmou que a bancada deverá se posicionar sobre um eventual apoio à CPI após a decisão dos senadores. "Depois que Senado se decidir, a gente vai avaliar", afirmou o deputado.

De acordo com dados de integrantes da oposição, o PMDB na Câmara lidera o número de assinaturas coletadas. Até o final dessa terça, havia 28 assinaturas de deputados do PMDB. Na sequência aparece o PSDB, com 24 apoios, e o DEM, com 19 nomes. A proposta também conta com o apoio de parlamentares do PDT (1), PMN (2), PP (1), PPS, PR (4), PRB (1), PROS (3), PSB (5), PSC (4), PSD (3), PV (1) e Solidariedade (9). A bancada do PMDB na Câmara conta com 76 deputados e é a segunda maior atrás apenas do PT, com 87.

"Foram colocadas assinaturas espontaneamente, individualmente, não foi por uma decisão de bancada", afirmou Eduardo Cunha. O líder se esquivou ao ser questionado se também iria assinar o requerimento de criação da comissão. "Não há possibilidade de ter uma posição individual quando se é líder de uma bancada", disse.