Para oposição, relator de pedaladas defenderá governo

Álvaro Dias (PSDB-PR) diz que a indicação de Alcir Gurgacz para o cargo atende aos interesses do Planalto

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2015 | 02h07

BRASÍLIA - A oposição questionou nesta quinta-feira, 22, a isenção do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) na relatoria do processo que avaliará as contas de 2014 do governo, que foram reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Senadores apontam proximidade do relator com a base aliada e argumentam que, no plenário e nas comissões, ele sempre vota sob orientação do governo, ainda que em desacordo com outros integrantes do partido. Segundo relatos, seria um "governista cego".

Para o líder da oposição, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não houve isenção na escolha. "É o sistema vigente, o governo tem maioria no Congresso e faz as indicações que mais atendem ao seu interesse", avaliou.

O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) disse ser natural que fosse indicado um aliado. "É natural que a Rose de Freitas, integrante da bancada do PMDB, que participa do governo, indique um senador aliado. Seria estranho se ela indicasse um senador da oposição", afirmou Bauer, que também faz parte da Comissão de Orçamento.

Critérios. Acir Gurgacz é líder do PDT e vice-líder do bloco de apoio ao governo. Para o senador catarinense, a indicação dele teve cunho político, e não técnico. "Como senador da oposição, vou debater e questionar letra por letra, número por número, qualquer argumento que o governo apresentar", afirmou Bauer.

Humberto Costa (PE), líder do PT, defendeu a imparcialidade do relator e afirmou que a decisão tranquiliza o governo, não por um eventual parecer favorável, mas por sua atuação isenta, que ele caracterizou como "sem paixões".

"Não poderia haver uma escolha melhor. Ele tem ampla experiência em questões orçamentárias e não vai cumprir tarefa para o governo ou para a oposição", defendeu Costa.

Há quem acredite, entretanto, que o senador não terá tempo hábil para relatar o processo. Ao final do ano, os parlamentares que hoje integram a Comissão de Orçamento são substituídos. Como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concedeu prazo de 45 dias para que o governo apresente sua defesa, o processo só deve chegar às mãos do relator após o dia 5 de dezembro.

"Acho a indicação (de Gurgacz) inócua. Independentemente de seu posicionamento, ele não terá tempo para cumprir com a tarefa da relatoria", argumenta o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

O relator, por sua vez, deixou claro que a substituição de parlamentares na comissão só acontece em março de 2016 e expressou vontade de terminar a relatoria antes disso.

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