João Ricardo/PTB
João Ricardo/PTB

Para Marun, ataques contra Cristiane são 'ativismo político' do Judiciário

Ministro da Secretaria de Governo não vai levar ao PTB nenhum pedido para trocar nome indicado ao Ministério do Trabalho

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 16h56

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse em entrevista que não foi e nem vai procurar as lideranças do PTB para que o partido indique outro nome para substituir o da deputada Cristiane Brasil (RJ) para o Ministério do Trabalho, por conta das inúmeras denúncias que existem contra ela, agora acrescidas pela informação de que é alvo de um inquérito que apura suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico durante a campanha eleitoral de 2010, noticiado pelo Estado.

"Os ataques são em função de um ativismo político de setores do Judiciário", desabafou o ministro, avisando que o presidente Michel Temer não abre mão da prerrogativa de nomear quem quiser.

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"Nem fui, nem vou" levar nenhum notícia ao PTB, pedindo para trocar o nome de Cristiane Brasil, declarou Marun. Para defender a tese de que as pressões contra a deputada fazem parte deste ativismo, o ministro criticou a demora do inquérito que apura estas acusações de ligação dela com o tráfico. "Errou quem deixou inquérito parado tanto tempo", prosseguiu o ministro, lembrando que "a investigação levou sete anos sendo feita e não chegou a lugar nenhum justamente porque era fruto de ativismo político".

 

Marun negou que haja desgaste político por conta da pressão pela desistência do governo em relação à indicação de Cristiane Brasil. Para ele, o governo continuará insistindo na designação da deputada para o Ministério do Trabalho porque "é uma prerrogativa do presidente da República nomear ministros e isto está escrito na Constituição". E emendou: "lutar pela Constituição vale independentemente do tempo que dure". Questionado se não estava na hora de mudar de estratégia e desistir de Cristiane, Marun avisou: "não é este o nosso objetivo. A luta é pelo estado de direito". Questionado se o temor é de perder os votos da previdência do PTB, Marun disse que o governo conta "com a maioria dos votos do PTB".

Temer estava relutante em retirar o nome de Cristiane justamente por conta dos votos do partido, que é dirigido pelo pai da deputada. Embora Marun negue, diante do crescente desgaste por conta da insistência do PTB em manter o nome de Cristiane Brasil para assumir o Ministério do Trabalho, o governo mudou o discurso e já começou a discutir uma forma de pedir ao partido que indique um substituto para ela.

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As últimas denúncias publicadas contra a deputada serviram para convencer o governo de que as dificuldades continuarão, com bombardeio contra Cristiane, mesmo que o Supremo Tribunal Federal (STF) a libere para tomar posse. A possibilidade começou a ser discutida, mas com todo cuidado, para não melindrar o PTB. Este, no entanto, não será um movimento que o presidente Michel Temer participará diretamente, embora ele tenha se reunido com os seus principais auxiliares diretos nos últimos dias para discutir este crescente problema. O presidente Temer estava resistindo a concordar com a mudança porque entendia que precisava ser leal ao presidente do PTB, Roberto Jefferson, pai de Cristiane Brasil, que a indicou para o cargo.

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