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Para Lula, PSDB quer ‘um pouquinho de desemprego’

Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo - atualizado às 22h44

16 Maio 2014 | 14h 41

Ex-presidente diz que combate à inflação proposto por tucanos gera corte de postos de trabalho; ele reforça comparação com gestão FHC

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 16, em evento com blogueiros e ativistas digitais em São Paulo, que o PSDB defende o aumento do desemprego como forma de combater a inflação. O petista também afirmou que a estratégia para a reeleição da presidente Dilma Rousseff deve ser a polarização com o tucano Aécio Neves por meio de comparações entre os 11 anos de governo do PT e os oito do PSDB.

"A nossa inflação está controlada há 11 anos, dentro da meta. E quem é economista aqui sabe que para controlar a inflação, para ficar baixa, tem que ter um pouquinho de desemprego. É isso que os tucanos querem, um pouquinho de desemprego", afirmou Lula." E nós não queremos", completou.

Lula classificou como "milagre" o governo manter a inflação dentro da meta apesar do nível de desemprego de 4,3%, o mais baixo da história.

O discurso do ex-presidente confirma a estratégia usada no programa de TV do PT veiculado na quinta-feira, no qual o partido dizia que "não basta crescer nos números dos economistas, é preciso crescer na vida das pessoas" como forma de minimizar o impacto eleitoral de resultados negativos da economia no governo Dilma.

No discurso, Lula citou diretamente os tucanos duas vezes e desafiou os adversários a comparar resultados, inclusive no combate à corrupção.

"Este governo certamente tem defeitos, como eu tive defeitos e todo mundo tem defeitos, mas o que nós temos que comparar somos nós com eles. Vamos comparar. Eu não tenho medo de comparar 11 anos em nenhuma questão com eles, inclusive na questão da corrupção", disse o ex-presidente.

Lula insinuou que no governo tucano a sujeira era varrida para debaixo do tapete, voltou a defender punições a correligionários que cometam erros e defendeu o "orgulho" petista.

Preocupação. Apesar do tom de confiança, Lula admitiu que o momento político é preocupante para Dilma, em queda nas pesquisas. "Eu começo a me preocupar porque já vivi momentos como o que a gente está vivendo hoje, uma certa dispersão de vontades, um certo momento de diminuição de esperança, falta de perspectiva de um futuro melhor", disse. "E eu não acredito em política sem esperança, sem conseguir motivar as pessoas."

De acordo com o ex-presidente, o motivo de preocupação está ligado ao fato de parte do eleitorado ser muito jovem para lembrar do Brasil pré-Lula. "Esse menino não tinha noção do que era o ‘mar de rosas’ dos tucanos", ironizou.

Para Lula, os mesmos setores que pensaram ter derrotado a presidente quando ela foi presa e torturada durante a ditadura hoje estão como "medo de Dilma" e, por isso, atacam a presidente de forma "virulenta".

"Estão tratando (Dilma) com charges preconceituosas, com provocações e palavras. ‘Criminosa’, como disse o Paulinho (deputado Paulo Pereira da Silva, do Solidariedade) no 1.º de Maio. Bater num metalúrgico, tudo bem. Apanhamos a vida toda. Mas a Dilma não é isso. A Dilma é até uma mulher fina, formada pela Unicamp. É uma mulher letrada", afirmou o ex-presidente. A presidente, na verdade, não completou o mestrado em economia na Unicamp.

Em meio a blogueiros na maioria simpáticos ao PT, Lula elegeu a regulação dos meios de comunicação como prioridade de vida, distribuiu críticas à imprensa, mas disse que, em vez de "chorar", os descontentes devem aproveitar os mecanismos existentes hoje para criarem seus próprios meios de comunicação. Lula comparou o momento atual às greves do ABC, quando os sindicalistas informavam os metalúrgicos por meio de panfletos.

Embora tenha reclamado da forma "truculenta" como Dilma tem sido tratada, Lula usou um tom agressivo ao reclamar da maneira como a "grande imprensa" se refere aos ativistas digitais. "Eu nunca imaginei que pelo fato de vocês serem como são fossem chamados de blogueiros sujos. É como se eles fossem limpos."