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Para Lula, governo precisa defender Petrobrás com 'unhas e dentes'

Atualizado às 14h20 - Lilian Venturini, Mário Braga e José Roberto Castro

08 Abril 2014 | 12h 24

Ex-presidente lembra efeitos da CPI do mensalão e diz que é preciso fazer 'debate político' para conter oposição; ao comentar licença de André Vargas, Lula quer que deputado se defenda para PT 'não pagar o pato'

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 8, que o governo federal deve fazer um debate "ofensivo" para rebater as denúncias contra a Petrobrás e defender a estatal com "unhas e dentes". Em entrevista a blogueiros, o ex-presidente disse que o PT "tem que ir para cima" e fazer o debate político para evitar desgaste parecido deixado pelo escândalo do mensalão.

"Acho que o governo tem que ir para ofensiva e debater esse assunto com força. Não pode admitir que as mentiras continuem prevalecendo. Temos que defender com unhas e dentes os fatos que acreditamos ser verdadeiros", afirmou Lula. Durante a entrevista, realizada no Instituto Lula, o ex-presidente comentou o pedido de licença do deputado federal André Vargas (PT-PR) e defendeu que o parlamentar dê explicações sobre sua ligação com o doleiro Alberto Yousseff.

O Estado revelou, em março, que a presidente Dilma Rousseff deu aval à aquisição de 50% da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, pela Petrobrás. Na ocasião Dilma presidia o Conselho Administrativo da estatal. Ao todo, a empresa gastou cerca de US$ 1,2 bilhão pela unidade que, anos antes, custou US$ 42 milhões à empresa belga Astra Oil. Desde então, partidos da oposição defendem a instalação de uma CPI para apurar a negociação, já investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal.

Lula afirmou não ser contrário à CPI, mas afirmou que o governo precisa debater o caso "com força". "Essas pessoas [que defendem a CPI da Petrobrás] nunca quiseram fazer CPI. Aqui em São Paulo nunca aconteceu nenhuma. Nesse aspecto, o PT tem que ir para cima. Espero que o PT tenha aprendido a lição do que significou a CPI do mensalão, porque ela deixou marcas profundas nas entranhas do PT. Se o PT tivesse feito o debate político no momento certo, possivelmente a história teria sido outra", afirmou.

O ex-presidente, no entanto, disse ser contrário à ideia de criar outra CPI para investigar outros assuntos. Na semana passada, integrantes do Palácio do Planalto chegaram a coletar assinaturas para tentar instalar uma CPI para investigar as denúncias de formação de cartel em contratos do governo paulista no setor metroferroviário.

Para Lula, a oposição defende a CPI da Petrobrás em razão da falta de bandeiras políticas em ano eleitoral. "O que não pode é ficarmos vendo em cada eleição, por falta de assunto, a oposição, que nunca quis CPI, agora ficar querendo tirar proveito em seis meses de campanha. É melhor fazer um programa de governo", disse.

Entre os participantes estão os blogueiros Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães, Altamiro Borges, Renato Rovai, Miguel Rosário, entre outros.