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Mensalao

Para Lula, a história do mensalão ainda vai ser 'recontada'

Beatriz Bulla, Gabriela Lara, José Roberto Castro e Mário Braga - Agência Estado

08 Abril 2014 | 14h 06

Ex-presidente diz esperar que 'verdade venha à tona' e diz ter havido 'dois pesos e duas medidas' no STF quanto ao mensalão mineiro e à ação que julgou petistas

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar o julgamento do mensalão em entrevista a blogueiros nesta terça-feira, 8, e disse que a história do episódio ainda vai ser "recontada". "A história do mensalão vai ser recontada neste País, e seu eu puder ajudar, será recontada. Não vou julgar ninguém, só quero que a verdade venha à tona. Não é possível que em 513 deputados não tenham achado um que tenha recebido mensalidade", afirmou o petista.

Lula comparou ainda o tratamento dado à ação penal 470 e ao processo conhecido como "mensalão mineiro", que tem como réu o ex-deputado pelo PSDB, Eduardo Azeredo. "O que aconteceu com o mensalão, eu não vi agora no caso de Minas Gerais. Ninguém gritou e o processo voltou para (a Justiça de 1ª instância de) Minas Gerais", comentou. "Ou seja, são dois pesos e duas medidas".

Em março, o Supremo Tribunal Federal decidiu por encaminhar o julgamento do mensalão mineiro para a primeira instância em Minas Gerais, com isso o caso só deve ser avaliado depois das eleições, evitando um eventual desgaste eleitoral do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves. Na ação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a condenação a 22 anos de prisão para Azeredo.

Sobre a prisão de seu ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Lula disse que ele deveria estar em prisão domiciliar e que o que acontece com ele é um "abuso muito grave do poder e da lei". "Os mesmos que defendiam a forca pro Zé Dirceu defendem julgamento civilizado e tranquilo para os outros. É o que deveria ser para todos", avaliou.

Barbosa. Questionado se tinha arrependimento pela indicação de Joaquim Barbosa ao Supremo Tribunal Federal, devido à atuação do ministro no julgamento do processo do mensalão, Lula respondeu que não. "Não indiquei o Barbosa para julgar o mensalão, mas porque eu queria que a gente tivesse um advogado negro na Suprema Corte brasileira", disse, afirmando ainda que, de todos os currículos na época, o de Barbosa era o melhor.

"O comportamento dele é da inteira responsabilidade dele", disse Lula. Ele afirmou que se fosse presidente atualmente e tivesse as informações de Joaquim Barbosa que recebeu na época, o nomearia de novo como ministro. O ex-presidente afirmou ainda que, no caso do mensalão, avalia que "teve gente que se comportou equivocadamente". Mas ele destacou que o STF também realizou julgamentos importantes, como a aprovação do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas e o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

"Uma coisa que é grave é que tem muita gente falando demais na Suprema Corte. Ela tem de se manifestar nos autos do processo", criticou. Ele disse que "alguns inclusive mentiram descaradamente". "Eu fiquei desconjurado com muitas coisas. Felizmente, caiu o crime de quadrilha, lavagem de dinheiro do João Paulo, porque as pessoas precisam provar alguma coisa", disse. Ele criticou a teoria do domínio do fato e disse que foi um "achado extraordinário", segundo a qual não se tem que "provar nada".

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