WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Para Lula, Bolsa Família e Minha Casa justificam pedaladas de Dilma em 2014

Ex-presidente diz que governo deve usar programas sociais como argumento para explicar à população manobra fiscal rejeitada pelo Tribunal de Contas da União

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2015 | 13h59

SÃO BERNARDO DO CAMPO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 13, que a presidente Dilma Rousseff fez as pedaladas fiscais para pagar o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, dois dos maiores programas sociais do governo. Ele argumentou que o governo deveria utilizar essa justificativa para explicar à população a adoção das pedaladas, mesmo que tenha admitido não conhecer bem o assunto. A declaração de Lula foi dada na abertura oficial do 1.º Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em São Bernardo do Campo.

"Talvez a Dilma, em algum momento, tenha deixado de repassar o Orçamento para a Caixa, porque tinha que pagar coisas que não tinha dinheiro. Ela fez as pedaladas para pagar o Bolsa Família, ela fez as pedaladas para pagar o Minha Casa, Minha Vida", disse Lula em um discurso de cerca de meia hora. Participavam do evento dirigentes sindicais, representantes de movimentos sociais, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), o ex-senador e atual secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Eduardo Suplicy, entre outros.

O ex-presidente disse que "todo mundo sabe" que o Minha Casa Minha Vida subsidia trabalhadores que ganham até três salários mínimos. "Tem um forte subsídio do governo, o dado concreto é que custa caro ao governo, é investimento que o governo faz". E continuou: "Se o governo não subsidiar, não acontece."

Oposição. Durante o evento, Lula criticou duramente a oposição, sobretudo o PSDB, que tem defendido a tese do impeachment ou a renúncia da presidente. "A oposição deveria criar vergonha e deixar a Dilma governar este País", afirmou. Ele culpou a oposição pelo que considera um clima de "baixo astral e baixa autoestima" que vem tomando conta do Brasil. "A oposição fez a autoestima do povo ficar em baixa."

"Perdi três eleições neste País, voltava pra casa e, como dizia Brizola (ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola), ia lamber as minhas feridas. Eles governavam com a maior tranquilidade. Agora, eles perderam a quarta eleição e não se conformam. Em vez de esperar a quinta, não saíram do palanque. Eles deveriam criar vergonha e deixar a Dilma governar este País", disse Lula em seu discurso.

Sair do gabinete. Apesar de defender sua afilhada política, Lula voltou a cobrar que Dilma saia do gabinete, "com ar condicionado" de Brasília, para ir às ruas. O ex-presidente disse que, quando se é governo ou dirigente, "é preciso ir ao encontro do povo para receber oxigênio novo, para ganhar nova motivação e sentido para governar". E lembrou que foi exatamente para atender essa parcela da população que ele criou o PT. Ele ironizou que no gabinete presidencial não entra notícia boa nem manchete de jornal favorável ao governo, daí a necessidade de ir às ruas, ao encontro do povo.

Dilma estará na noite desta terça-feira em São Paulo, onde irá se encontrar com Lula na abertura do Congresso da CUT. A ideia é buscar apoio junto aos movimentos sociais. Nesse encontro, Dilma aparecerá não só ao lado do ex-presidente petista, mas também do ex-presidente do Uruguai José Mujica.

Além de se reaproximar dos movimentos sociais, a presidente também está procurando restabelecer pontes com o empresariado, que começou a dar sinais de afastamento do governo.

Golpe. Presente também ao evento, Luiz Marinho disse, em rápida saudação às lideranças camponesas, que as elites desejam "com a tentativa de golpe" derrubar o governo Dilma e atingir Lula, maior liderança de seu partido. "Sei o momento político que estamos enfrentando no nosso País e sei das dificuldades do governo da presidente Dilma Rousseff e das críticas que recebemos, mas sei que ninguém deseja um golpe contra a presidente. O que a elite deseja é um golpe contra os trabalhadores e inviabilizar a liderança de Lula", disse Marinho.

Em breve discurso, o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), Paulo Cayres, o Paulão, conclamou os presentes a defenderem o legado do ex-presidente Lula, pedindo que todos se levantassem e cerrassem os punhos, com os mesmos braços que plantam nos campos, em defesa do petista.

O presidente da Federação Única dos Petroleiros, José Maria, disse no evento que a luta em defesa da Petrobrás não é corporativa. "Este congresso e o da CUT tem que mandar um recado a quem quer dar um golpe no País. Vamos lutar para que a democracia no País continue em pé, só estamos há 13 anos no poder e tem uma longa estrada pela frente."

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