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Para Dilma, Petrobrás 'está acima' de falhas de funcionários

Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2014 | 13h 06

Presidente evita comentar decisão de ex-diretor preso pela PF de aceitar fazer delação premiada sobre negócios da estatal: 'Não se pode confundir as pessoas com as instituições'

Brasília - Depois de o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, decidir fazer delação premiada, a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) disse na manhã deste domingo, 24, que a empresa "é muito maior que qualquer agente dela" e que a Petrobrás "está acima" de eventuais falhas de conduta de seus funcionários.

"Não se pode confundir as pessoas com as instituições. A Petrobrás é muito maior que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos, crimes - ou, se for julgado, que se mostre que foi condenado. Isso não significa uma condenação da empresa", disse Dilma, em coletiva de imprensa concedida na manhã deste domingo no Palácio da Alvorada.

"Posso te falar uma coisa? O Brasil e nós todos temos de aprender que, se pessoas cometeram erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção, isso não significa que as instituições tenham feito isso."

Horas antes de Costa se decidir por falar o que sabe de corrupção em negócios da Petrobrás, na sexta-feira, 22, a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Lava Jato e vasculhou os endereços de 13 empresas de consultoria, gestão e assessoria, todas situadas no Rio e ligadas a uma filha, Ariana Azevedo Costa Bachmann, a um genro, Humberto Sampaio Mesquita, e a um amigo dele, Marcelo Barboza.

Acuado, na iminência de sofrer uma sucessão de condenações como réu da Operação Lava Jato, Costa considera que não tem a menor chance de sair da prisão tão cedo. Ele quer preservar seus familiares, que também se tornaram alvos da Lava Jato. O ex-diretor está preso na sede da Superintendência Regional da PF em Curitiba.

Na avaliação de Dilma, não existe "nenhuma instituição acima de qualquer suspeita quando se trata dos seus integrantes". "Inclusive, nas instituições - qualquer uma - e nas empresas - inclusive nas que vocês trabalham -, pode ocorrer isso", afirmou a candidata, dirigindo-se aos repórteres.

"Porque os homens e as mulheres é que falham, não são as instituições necessariamente. A Petrobrás está acima disso. Eu não tenho o que comentar sobre a decisão de uma pessoa presa fazer ou não delação premiada, isso não é objeto do interesse da Presidência da Republica", comentou Dilma.

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