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Para crescer no NE, Campos participa de cortejo na BA

TIAGO DÉCIMO - Agência Estado

02 Julho 2014 | 16h 18

Enquanto a chapa que apoia Aécio Neves (PSDB) se esforça para fortalecer a candidatura tucana ao Planalto no Sudeste, o presidenciável do PSB, Eduardo Campos, tenta marcar presença no Nordeste, principal reduto eleitoral do PT nas últimas eleições. Na manhã desta quarta-feira, 2, Campos, acompanhado das lideranças baianas de seu partido, participou do cortejo que celebra o 2 de Julho, principal data cívica da Bahia, pelas ruas do centro de Salvador. Foi a sexta vez que ele participou de eventos públicos no Estado desde que foi anunciado como pré-candidato de seu partido à Presidência.

"Acho que (o 2 de Julho), além de ser uma festa da Bahia e do Brasil, é a única festa de independência do País que continua sendo comemorada pelo povo, sem solenidades oficiais", disse Campos sobre a celebração, que lembra a expulsão das tropas portuguesas da Bahia, em 2 de julho de 1823, e justificando sua presença, pela primeira vez, no evento. "É uma data marcante na construção da nossa nação."

Sobre a importância que se tornar mais conhecido no Nordeste tem para sua candidatura, o ex-governador de Pernambuco lembrou que a Região foi a que "deu a eleição" para a presidente Dilma Rousseff. "Desta vez, quando a população do Nordeste for escolher seu candidato, vai encontrar alguém que conhece a Região, que sabe das desigualdades, que já governou aqui e que é bem avaliado em seu Estado", argumentou.

Ele admitiu, porém, que o início da propaganda eleitoral obrigatória nas redes de TV e rádio vai ser "fundamental" para a construção de sua candidatura. "Eu sempre comecei (as campanhas) perdendo nas pesquisas e venci", analisou. "Nosso grau de conhecimento ainda é muito baixo no País. (A propaganda eleitoral) é fundamental para que a gente possa apresentar nossas ideias e nossos projetos à população. A gente quer mudar a forma de governar o Brasil." Campos não poupou críticas à distribuição de cargos do governo a partidos políticos aliados. "O Brasil está entregue aos partidos políticos - e é possível governar sem fisiologismo."

O discurso contra o fisiologismo e as associações partidárias também marcou a passagem dos dois outros presidenciáveis que participaram do cortejo, Luciana Genro (Psol) e Zé Maria (PSTU). De acordo com a candidata pelo Psol, as coligações que envolvem as principais candidaturas ao Planalto são "apenas balcões de negócios" entre partidos. "É um leilão, no qual alguns partidos vendem para os outros o tempo de TV", analisou.

De acordo com ela, para que a situação seja mudada, é preciso desvincular a duração das propagandas eleitorais das alianças partidárias. "Estamos com uma proposta nesse sentido", disse. Já o candidato pelo PSTU, Zé Maria, além de criticar o fisiologismo, disse lamentar a distância econômica entre os maiores partidos e os pequenos. "Não temos o poder econômico para disputar (as eleições)", admitiu. "As eleições são controladas pelos partidos maiores."

Confusão

Como de costume, o cortejo do 2 de julho levou uma multidão para as estreitas ruas do centro de Salvador e reuniu políticos e representantes de associações de classe de diversos setores. Todos os candidatos ao governo e ao Senado pelo Estado, além do governador, Jaques Wagner (PT), e do prefeito da capital, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), por exemplo, marcaram presença, desfilando em "blocos" de afinidade partidária. Também como é habitual, grupos de sindicalistas e de servidores públicos aproveitaram a ocasião para protestar. Enfermeiros e técnicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em greve desde ontem (terça-feira), por exemplo, levaram ao cortejo faixas cobrando "valorização" das categorias.

Todos os protestos foram pacíficos, mas foram registrados conflitos entre integrantes de grupos políticos rivais. Houve troca de xingamentos e algumas agressões entre participantes do "bloco" do governo do Estado, que reuniu o PT e os partidos aliados, e o grupo da Prefeitura, liderado por DEM, PMDB e PSDB, que é oposição ao PT na Bahia e seguia logo atrás no cortejo. A Polícia Militar teve de intervir para evitar que a briga ganhasse grande proporção.

Após a caminhada, lideranças do PT prometeram ingressar na Justiça Eleitoral contra o DEM, porque alguns militantes do partido de oposição ao governo estadual desfilaram com um adesivo colado sobre a roupa com o número da legenda (25). "Vamos notificar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre essa ilegalidade", disse o deputado Nelson Pelegrino. O presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, disse que o TRE "tem de fiscalizar e aplicar a pena devida" ao DEM.