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Para Campos, Dilma põe problemas 'debaixo do tapete' igual a FHC em 1998

Angela Lacerda - O Estado de S. Paulo

11 Março 2014 | 15h 01

Pré-candidato do PSB afirma que tucano deixou crise econômica "pipocar em cima do povo" após reeleição e que o mesmo pode se repetir com atual presidente

ITAPISSUMA - O governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB) justificou nesta tarde suas críticas à presidente Dilma Roussef e comparou a situação do atual governo com a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, segundo ele, deixou a crise econômica "pipocar na população" em seu segundo mandato.

"Não dá para botar tudo isso debaixo do tapete [fazendo referência aos problemas da economia], como se fez durante o Plano Cruzado e depois ver o pipoco em cima do povo; como se fez no final do primeiro governo Fernando Henrique e quando passou a reeleição explodiu o problema", avaliou ao voltar a defender um amplo debate para enfrentar os desafios do País.

Campos fez referência à desvalorização do real no segundo mandato de Fernando Henrique, que agravou a situação econômica do País na época. É o primeiro ataque direto do líder do PSB a Fernando Henrique, em meio as tentativas de Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e pré-candidato à Presidência, de se aproximar do governador de Pernambuco.

Ele explicou ainda que passou a citar nominalmente a presidente nos ataques que tem feito ao governo federal diante dos riscos que o País enfrenta. "Não se trata de falar da pessoa da presidenta, a quem tenho respeito e em quem votei", observou. "Mas tenho direito democrático de afirmar minha divergência com a condução do País".

Ao reafirmar que o Brasil não aguenta mais quatro anos de encolhimento da economia, da volta da inflação e da crise na indústria, ele indagou: "se isso não for importante, o que é importante? É saber quem vai ser o próximo ministro do Turismo, se vai ser PMDB do Senado ou da Câmara? Isso vai mudar o que na vida do povo que depende do turismo, depende da indústria?"

Para ele, a forma de preservar as conquistas dos últimos governos - Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula - é "falar a verdade".

O governador deu entrevista após a inauguração de uma fábrica da Ambev, no município metropolitano de Itapissuma, ao lado do candidato à sua sucessão, o secretário estadual da Fazenda, Paulo Câmara, e do ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, que vai concorrer ao Senado. Ele tinha um total de cinco compromissos na sua agenda, nesta terça-feira, entre inaugurações e visitas a obras, em quatro municípios.