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Política

Dilma Rousseff

Panelaço e gritos de 'Fora Dilma' durante fala da presidente na TV; veja vídeos

Enquanto presidente pedia ‘paciência’ e ‘compreensão’ dos brasileiros dizendo que ‘sacrifícios’ do aperto na economia serão ‘passageiros’, houve protestos em diversas cidades, com buzinaços nas ruas e muita gente gritando nas janelas

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Débora Bergamasco ,
O Estado de S. Paulo

08 Março 2015 | 21h23

Atualizado em 9.03

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff usou o pronunciamento em rede nacional pelo Dia Internacional da Mulher para fazer uma longa defesa ao ajuste fiscal e pedir "paciência" e "compreensão" dos brasileiros porque, segundo ela, a atual situação é "passageira". Afirmando que o governo está usando "armas diferentes e mais duras" das que foram utilizadas na primeira fase da crise, em 2008, ela ressaltou que todos terão de fazer "sacrifícios temporários" e arrematou dizendo que são suportáveis pois tem "o povo mais forte do que nunca".

Durante o pronunciamento - a transmissão começou às 20h40 no horário de Brasília e se estendeu por 16 minutos - houve protestos em diversas cidades. Pessoas foram às janelas gritar "Fora Dilma". Em São Paulo, maior metrópole do País, xingamentos se misturavam com panelaços e buzinaços em bairros como Higienópolis, Perdizes, Aclimação, Ipiranga, Lapa, Moema, Vila Marina, Mooca e Santana. 

 

Também houve protestos em bairros de Brasília, Rio, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte, onde os gritos contra a presidente, além do panelaço, se repetiram. Muitos acendiam e apagavam as luzes durante o discurso.

À tarde, grupos pró-impeachment de Dilma espalharam mensagens via celular convocando a manifestação. Nas redes sociais, os grupos Vem Pra Rua e Revoltados On Line, por exemplo, fizeram chamados para o panelaço.

Resultados. No pronunciamento, Dilma deu prazo para o aperto. "Este processo (de ajuste) vai durar o tempo que for necessário para reequilibrar a nossa economia", afirmou, prevendo os primeiros resultados "já no final do segundo semestre". Dilma declarou que "a carga negativa", até agora absorvida pelo governo, será dividida "em todos os setores da sociedade".

O escândalo de corrupção na Petrobrás, que entrou numa fase aguda após a abertura na sexta-feira de inquéritos contra políticos, foi mencionado rapidamente e apenas no fim de sua fala. Dilma frisou que a investigação das denúncias na estatal é "ampla, livre e rigorosa". Com isso, buscou responder as acusações que vem sofrendo, não só por parte de adversários como de parlamentares da base aliada, de que seu governo tenta interferir nas apurações da Operação Lava Jato.

"Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos. É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobrás", afirmou em cadeia de rádio e TV.

O pronunciamento foi gravado na manhã de quinta-feira, um dia antes da publicação da lista de políticos que serão investigados por suspeita de corrupção relacionada à petroleira.

Arrocho. No discurso, Dilma passou a maior parte do tempo explicando e defendendo o ajuste fiscal que está sendo implementado no Brasil - que trata do corte de despesas e de investimentos, redução de parte de programas sociais, mudanças nas regras para acesso a benefícios trabalhistas e correção na tabela do Imposto de Renda.

Para executar parte das medidas, o Poder Executivo precisa de aprovação pelo Congresso Nacional, com o qual está em uma crise de relacionamento.

A petista classificou como corajosa a decisão de assumir o ajuste fiscal mesmo que isso lhe renda desaprovação. "Decidimos corajosamente mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento. Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo", disse.

Dilma também culpou a seca nas Regiões Nordeste e Sudeste e a piora da conjuntura internacional pelo aumento dos custos para os consumidores e as mudanças de rumo em sua gestão econômica. E sugeriu que a imprensa tenta transformar a crise em algo mais grave do que realmente é.

Pessimismo. "Os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes. Muitas vezes até nos confundem mais do que nos esclarecem", afirmou. Ela também disse haver pessimismo por parte de integrantes da sociedade. "O Brasil passa por um momento diferente do que vivemos nos últimos anos. Mas nem de longe está vivendo uma crise nas dimensões que dizem alguns."

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