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Paes se diz 'estarrecido' com denúncia sobre Bethlem

THAISE CONSTANCIO - Agência Estado

26 Julho 2014 | 17h 53

A Controladoria-Geral do Município (CGM) do Rio realizará uma "auditoria especial" a partir dessa segunda-feira, 28, para verificar todos os contratos assinados pelo deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) enquanto exerceu funções políticas no governo do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Bethlem é suspeito de corrupção e desvio de dinheiro em contratos com a ONG Casa Espírita Tesloo, enquanto era secretário de Assistência Social, entre 2011 e 2012.

MARCOS DE PAULA/Estadão
"Não há relação política, pessoal ou de parentesco que me faça ser conivente com qualquer tipo de corrupção", declarou prefeito

O prefeito disse que ficou "estarrecido, chocado e surpreso" com "as notícias assombrosas" e garantiu que a "aproximação (pessoal) com o prefeito não isenta ninguém de investigação". "Que essa atitude sirva de sinal claro para quem trabalha na Prefeitura e para a sociedade, que não há relação política, pessoal ou de parentesco que me faça ser conivente com qualquer tipo de corrupção. (O suspeito) terá que responder por seus atos, que acarretem prejuízos para os cofres públicos", afirmou.

Paes ressaltou que em quase seis anos "não há qualquer escândalo que tenha envolvido" o seu governo". A Tesloo foi contratada em agosto de 2011, por R$ 9,68 milhões para administrar o cadastro único de programas sociais da prefeitura - que inclui o Bolsa Família e o Bolsa Família Carioca. Em 2012, uma auditoria da CGM já havia constatado irregularidades neste contrato, que foi suspenso no mesmo ano. Todos os recursos apurados como irregulares foram devolvidos, segundo o prefeito.

"Não houve indícios, na época, de que havia qualquer benefício pessoal ao deputado Rodrigo Bethlem". O prefeito, no entanto, afirmou que ainda não há informações suficientes para garantir que o banco de dados foi concluído e para explicar porque o último pagamento à ONG foi feito em abril de 2014. Paes também não comentou as duas ações judiciais movidas pela prefeitura contra a Tesloo, que era administrada pelo major da reserva Sérgio Pereira de Magalhães Júnior, suspeito de integrar uma milícia.

O prefeito disse que "as imagens e falas são muito contundentes" em relação aos "malfeitos e irregularidades desse caso".

"Não vou passar a mão na cabeça de ninguém que age de maneira desonesta e irregular na Prefeitura. Quem pratica corrupção no meu governo, no que depender de mim, vai para a cadeia". Ele completou afirmando que a Prefeitura vai tomar todas as atitudes necessárias para reaver o dinheiro desviado. "Iremos até as últimas consequências".

O material que incrimina o deputado foi gravado em novembro de 2011 por Vanessa Felippe, ex-mulher de Bethlem e filha do presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe. O prefeito disse que ainda não foi procurado por nenhum dos dois.

Bethlem também trabalhou no governo de César Maia (DEM), que tenta uma vaga no Senado. No governo Paes, o deputado federal se licenciou da Câmara para assumir os cargos de secretário de Assistência Social, de Ordem Pública e de Governo até abril deste ano, quando se afastou para tentar a reeleição.