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Padilha eleva o tom e diz que PSDB está 'incomodado' com sua caravana

Ricardo Brandt - O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2014 | 20h 43

Em sexto dia de viagens pelo interior do Estado, ex-ministro disse que tucanos foram 'incompetentes' para resolver problemas na educação

PIRACICABA - O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, possível candidato do PT ao governo de São Paulo, afirmou nesta quarta-feira, 12, que o PSDB está incomodado com seu trabalho, iniciado na última sexta-feira, de percorrer cidades paulistas em caravana para debater os problemas do Estado.

Em visita a Piracicaba, o ex-ministro elevou o tom dos ataques aos governos tucanos no Estado. Segundo ele, nesses 20 anos o PSDB foi "incompetente" para resolver problemas na educação, como os contratos temporários de professores, e não teve "coragem" para enfrentar o crime organizado.

"Eles já começaram a se incomodar. Estão vindo com uma história de que não podemos apontar os problemas do Estado", disse Padilha em discurso para lideranças ligadas ao PT, em Piracicaba.

Foi uma resposta ao presidente do PSDB paulista, deputado Duarte Nogueira, que na segunda-feira, 10, disse que o ex-ministro, não podia "citar o governador Mário Covas (morto em 2001) porque não enfrentou, não combateu e nem venceu os problemas da saúde no País e deixou a Pasta com um dos piores indicadores da história".

Padilha usou Covas em discurso na segunda-feira para cobrar mais liderança nas ações do governo do PSDB em São Paulo para defender o Estado. Ontem, depois de participar de uma aula em uma faculdade, se reunir com representante de Igreja Católica, ele voltou a apontar que o PSDB "perdeu capacidade de liderança política".

Citando a presença de aliados do PCdoB, do PSOL e do Pros, Padilha afirmou que o PT tem conversado com todos partidos no Estado, inclusive prefeitos do PSDB, para atacar a postura dos tucanos.

"Já vi prefeito do PSDB que não pega dinheiro da Saúde que está disponível, que não adere aos programas do governo federal, porque só quer fazer disputa política o tempo todo e a cidade é que perde", disse o ex-ministro.

No sexto dia da caravana Horizonte Paulista, onde ouve e debate assuntos do Estado para embasar seu programa de governo, Padilha lembrou que a campanha começa em junho, mas deixou claro que o cenário já foi desenhado.

"Vamos enfrentar uma batalha dura", afirmou o ex-ministro. "Vamos fazer uma campanha sem ataques, mas vamos apontar os problemas do Estado, perguntando para as pessoas o que falta", disse Padilha. "E aí, a partir de 2015 é o PT, e seus aliados, que vai estar governando esse Estado."

Aécio. Em uma entrevista a uma rádio, em Piracicaba, questionado sobre as declarações do senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido e pré-candidato à Presidência, que criticou o programa Mais Médicos, do governo federal, implantado durante sua gestão no Ministério na Saúde, ele desqualificou o tucano.

"As posições dele contra o Mais Médicos já mostram o que pode ele pensar sobre saúde no País. A postura dele contra o Mais Médicos o tempo todo, propondo ações novas que na prática inviabilizam a presença dos médicos cubanos nos municípios que mais precisam, mostra o que serão sua propostas na saúde", respondeu Padilha.

"É tem um a certa ironia, porque os dois Estados que mais pediram médicos do programa foram São Paulo e Minas Gerais (ambos dominados pelo PSDB)."