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Padilha discursa como candidato em inauguração de obra

Ricardo Brandt - Agência Estado

01 Fevereiro 2014 | 16h 13

Na próxima segunda-feira, 3, Padilha deixa o cargo para concorrer ao governo do Estado de São Paulo pelo PT

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez, na manhã deste sábado, 1, sua última inauguração de obra pelo governo federal, com discurso de candidato em um evento com direito a palanque, plateia, brinquedos alugados para crianças, distribuição de pipoca e algodão doce, e agradecimentos aos amigos do PT e citações à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu estou emocionado por estar aqui. É minha última inauguração como ministro da Saúde. Próxima segunda-feira, a presidenta Dilma, por missões que eu vou assumir nesse ano de 2014, estou saindo do ministério, e ela indicou para assumir a Saúde o grande amigo e companheiro Arthur Chioro", disse Padilha, ao abrir seu discurso.

Na próxima segunda-feira, 3, Padilha deixa o cargo para virar pré-candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo. Com toda estrutura ministerial, a agenda em parceria com a prefeitura era para inaugurar duas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e dois postos do Programa Saúde da Família (PSF), em Hortolândia, na região de Campinas, no interior de São Paulo.

Tinha brinquedos infláveis alugados pela prefeitura, funcionários públicos chamados para comparecer ao evento e lançamento conjunto de quatro placas de inauguração. "Hoje é um dia de profunda emoção para mim, estou muito feliz. Essa região me deu tudo para ser ministro da Saúde", disse Padilha, em um discurso de 28 minutos, explicando que foi no interior paulista onde ele se formou profissionalmente e politicamente.

Em clima de campanha, o ministro misturou futebol, ao se declarar corintiano sofredor, novela e seus personagens mais populares, com propaganda de programas do governo federal, como o Mais Médicos. Citando trechos de sua biografia, ao lembrar a relação com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde cursou medicina e começou a militância política e partidária, agradeceu os companheiros do PT, que afixaram faixas nos locais de eventos com honras ao ministro. "Quero dar um grande abraço aos meus colegas e companheiros militantes do Partido dos Trabalhadores que estão aqui", disse Padilha.

Questionado sobre seus primeiros passos como pré-candidato, ele afirmou que falará "e muito" sobre o assunto, assim que deixar o cargo. "Vou andar muito por esse interior do Estado e vamos conversar sobre 2014 quando eu sair do ministério", respondeu. O ministro evitou falar sobre saúde no Estado. "A presidente nos ensinou uma coisa que chama decoro governamental. Quando você está no governo, você não comenta sobre outro governo. Depois que eu sair do governo, aí vocês se preparem."

Koinonia-Presença. Alvo de críticas após a descoberta de um convênio entre o Ministério da Saúde e a Koinonia-Presença, organização não governamental (ONG) que já teve o pai do ministro como diretor, ele afirmou que o caso foi usado politicamente. "Eu sei que com a missão que eu vou assumir tem muita gente querendo fazer exploração política do fato. Para evitar que isso ocorra contra uma instituição tão séria, tomei a decisão de cancelar o convênio antes que ela recebesse recurso, embora o processo tenha sido legal."

Padilha lembrou que o primeiro convênio da ONG com o governo federal é da época que o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) era o ministro da Saúde e citou ainda cartas dadas à entidade pelo governo do Estado paulista referenciado seu trabalho, em 2009, 2010 e 2011 - nos governos do PSDB. "Mas eu sei que cada ato vai se buscar ter associação política."