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Padilha acusa Skaf de roubar slogan e declara guerra ao PMDB-SP

Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo

18 Junho 2014 | 22h 38

Candidato do PT em São Paulo ameaça ir à Justiça contra adversário, cujo partido é aliado de Dilma na eleição presidencial

Werther Santana/Estadão
Frase já foi usada na convenção que lançou candidatura de Padilha (de jaqueta)

São Paulo - Aliados em nível nacional e apontados pela presidente Dilma Rousseff como “a fórmula” para interromper o ciclo de quase 20 anos do PSDB no governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB) deflagraram ontem uma troca de ataques em torno do uso da expressão “mudança de verdade” na campanha estadual.

O PT estreou o slogan “para mudar de verdade” sábado, no lançamento de Padilha, e o PMDB passou a usar a expressão “mudança de verdade” um dia depois, na divulgação de vídeos e propostas de Skaf.

Foi o suficiente para a direção do PT ameaçar Skaf com uma ação judicial e Padilha acusar o ex-presidente da Fiesp de fazer uso eleitoral da entidade.

“Tem gente que usa a propaganda de uma entidade para se promover e agora passou a se apropriar do slogan do PT. Se foi do próprio candidato, a ideia é um golpe baixo, um gesto pequeno”, disse o petista.

A reação contrasta com a posição de Padilha até o fim da semana passada, quando o ex-ministro da Saúde disse ao Estado que seu único adversário era o governo do PSDB.

Skaf se esquivou de comentar as acusações de Padilha e o publicitário Duda Mendonça foi escalado para rebater os ataques petistas. Ele se dispôs a “dar de presente” a frase para o PT e se comprometeu a não usar mais a expressão.

“Se a frase é tão importante para eles, para nós não é. Dou de presente para eles. Podem ficar com ela. Gosto do Padilha. Ele até esteve comigo e me convidou para fazer a campanha dele. O povo de São Paulo já sabe quem é a mudança de verdade. Todas as pesquisas dizem isso”, disse Duda.

De acordo com o baiano, a irritação petista é uma estratégia para abrir uma polêmica com Skaf e tirar Padilha da incômoda quarta posição nas pesquisas, com apenas 3% contra 21% de Skaf, segundo o Datafolha.

“Eles (PT) estão se aproveitando para criar polêmica com o Skaf. Afinal, eles estão com 3% e nós com 25%”, afirmou.

As provocações do publicitário aumentaram a irritação no PT, que respondeu em tom ainda mais agressivo. “Quem promete doar o que foi roubado merece ganhar o campeonato mundial de 171”, disse Maurício Carvalho, publicitário da campanha de Padilha.

Petistas justificam a verborragia alegando que o uso da expressão por Paulo Skaf atrapalha a estratégia de marcar diferença em relação ao candidato do PMDB. No fim de semana a cúpula petista em São Paulo decidiu mudar de estratégia e partir para o ataque contra o peemedebista.

O PT não esperava chegar em julho atrás do peemedebista nas pesquisas. A tática petista previa que Skaf tirasse votos do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ajudasse Padilha a chegar ao segundo turno contra o tucano, mas o cenário atual mostra a situação inversa, com o petista funcionando como linha auxiliar para o candidato do PMDB. A disputa em torno do slogan é o pretexto para Padilha atacar Skaf.

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