DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
DIDA SAMPAIO|ESTADÃO

Ouvi dizer que Vaccari operava para fundos de pensão, diz Youssef à CPI

Em seu depoimento à comissão, doleiro confirmou que conhecia ex-diretores dos quatro fundos de pensão investigados pelo colegiado (Previ, Petros, Postalis e Funcef), mas negou participação em corrupção envolvendo essas empresas

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 19h12

Brasília - Um dos principais delatores da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef afirmou, em depoimento à CPI dos Fundos de Pensão nesta terça-feira, que ouviu dizer pelo mercado que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto era um dos operadores de alguns fundos de pensão. Em sua fala, ele confirmou que conhecia ex-diretores dos quatro fundos de pensão investigados pelo colegiado (Previ, Petros, Postalis e Funcef), mas negou participação em qualquer ato de corrupção envolvendo essas empresas.

"Ouvi dizer no mercado que o Vaccari era um dos operadores de alguns fundos de pensão, como Petros e Funcef, mas só ouvi dizer", afirmou Youssef em seu depoimento, negando que tenha participado de qualquer tratativa com o ex-tesoureiro do PT. "Minha relação com ele era totalmente superficial", disse o doleiro, que chegou à CPI munido de habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando-o a ficar em silêncio, mas optou por responder as perguntas feitas pelos deputados. 

Alberto Youssef destacou no depoimento à CPI que, em sua delação premiada à Polícia Federal, há apenas dois relatos sobre os fundos de pensão. Um deles foi a tentativa de vender debêntures para Funcef e Postalis - negócio que, de acordo com ele, não se concretizou. Outra menção que teria sido feita pelo doleiro em sua delação, acrescentou, foi a investimentos de fundos municipais e estaduais no fundo "Viagens Brasil", da empresa Marsans. "Além disso, não sei mais nada", afirmou. 

Outras áreas. Em sua fala, o doleiro ainda sugeriu que o esquema de pagamento de propina por parte de empreiteiros para obter contratos com a Petrobrás também pode ter acontecido com fundos de pensão. "Acho que pode isso acontecer em qualquer área, inclusive nos fundos de pensão, infelizmente", afirmou. Youssef disse acreditar que, no caso da petrolífera, empreiteiros não superfaturavam os contratos, mas, sim, pagavam as propinas a diretores da estatal, por serem pressionados por partidos. 

Apesar de Youssef ter respondido às perguntas dos deputados mesmo munido de habeas corpus, parlamentares se disseram frustrados com o depoimento do doleiro. "Felizmente, temos a Polícia Federal, a Justiça e o Ministério Público, porque nem esta Casa dá respostas, como o fiasco da CPI da Petrobrás na semana passada", disse o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR). "Youssef parece ter tido um ataque de esquecimento", lamentou o deputado Rocha (PSDB-AC).

Braço direito. Também depoente na CPI dos fundos de pensão nesta terça, o advogado Carlos Alberto Costa, considerado ex-braço direito de Youssef, confirmou denúncias de fraudes em fundos de pensão. Costa disse crer que pode ter havido uma atuação institucionalizada dos fundos para desviar recursos para campanhas eleitorais. "É uma crença pelo que vivenciei. Foi dinheiro dos fundos para pagar propina. Tenho a crença de que foram para esse fim, mas não participei e não poderia confirmar", afirmou.

Em sua fala, o advogado ainda confirmou que, dos R$ 13 milhões investidos pela Petros na Indústria de Metais do Vale (IMV), cerca de R$ 3 milhões foram desviados para pagamento de propinas. Segundo ele, o dinheiro desviado teria sido sacado pela companhia e entregue a Claudio Mente, empresário que, segundo ele, seria ligado a Vaccari, o qual teria intermediado negócios com o fundo da Petrobrás./ COLABOROU BERNARDO CARAM

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.