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Oposicionistas criticam saída de Cardozo do Ministério da Justiça e falam em 'mordaça'

Para os líderes dos principais partidos de oposição, mudança na Esplanada é fruto de pressão exercida pelo PT e pelo ex-presidente Lula

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Daiene Cardoso,
O Estado de S.Paulo

29 Fevereiro 2016 | 16h49

BRASÍLIA - Representantes de partidos de oposição na Câmara criticaram, nesta segunda-feira, 29, a saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça. Para os líderes dos principais partidos oposicionistas na Câmara, a mudança na Esplanada dos Ministérios é fruto de pressão exercida pelo PT e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de preservar figuras importantes da sigla que estão na mira da Operação Lava Jato e transformar a Polícia Federal em polícia política.

"O que o PT e Lula querem é que o ministro da Justiça controle as atividades da Polícia Federal e as investigações que atingem membros do governo e do partido. Sem ter como se explicar, os investigados querem impor uma mordaça aos investigadores", disse por meio de nota o líder da bancada tucana na Casa, Antonio Imbassahy (BA).

Imbassahy afirmou que a saída de Cardozo ocorre logo após críticas públicas de Lula a atuação da PF e do Ministério Público durante o aniversário do PT. "A pressão do PT sobre Cardozo tornou-se notória, tanto que o ministro se utilizava do cargo para, indevidamente, sair em defesa do PT e da campanha petista à reeleição, investigada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Agora, com o cerco se fechando contra o ex-presidente Lula, que não tem respostas às investigações que apuram se ele é dono oculto de um tríplex no Guarujá e de um sítio em Atibaia, a cobrança sobre o ministro deve ter aumentado de intensidade", afirmou Imbassahy.

Em entrevista na tarde desta segunda-feira, o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), disse que a PF vinha atuando com independência na Operação Lava Jato e elogiou Cardozo por não fazer ingerência nas investigações. Ele se disse, ainda, preocupado com a possibilidade de cerceamento das investigações e possível corte no orçamento da PF.

"Vamos denunciar aqui se houver qualquer tipo de cerceamento de investigação pela via da sufocação orçamentária, fazer as operações da PF minguar por falta de verba", declarou. Tanto Pauderney quanto Imbassahy afirmaram que a saída de Cardozo é uma sinalização ruim para a sociedade e enfraquece ainda mais a autoridade da presidente Dilma Rousseff.

Interferência. "É inadmissível e condenável qualquer tentativa de interferência nas atividades da Polícia Federal e da Justiça, que prestam hoje um extraordinário serviço à sociedade ao expor os esqueletos que o PT quis esconder. Agora, resta saber se a presidente Dilma mentiu mais uma vez as brasileiros, ao dizer que não governa só para o PT", afirmou Imbassahy.

Por meio de nota, o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), ressaltou que a saída de Cardozo ocorre às vésperas do depoimento da família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Ministério Público, quando devem dar explicações sobre o apartamento tríplex no Guarujá, litoral sul de São Paulo, e o sítio de Atibaia, no interior de São Paulo.

"No PT, a lógica é inversa: quem está atrás das grades ou na iminência de parar lá é tratado como herói. Já quem se posiciona no sentido de cumprir a lei, que parece ser o caso do atual ministro, é alvo de pressões políticas para deixar o cargo. Ou seja, estamos diante de uma ação do partido de Dilma para cortar a cabeça de Cardozo e transformar a PF em um órgão político", comentou Bueno.

"A sociedade deve ficar atenta a uma possível mexida de cadeiras na Esplanada com o objetivo de tentar amenizar a situação daqueles que estão enrolados nas principais operações de investigação em curso. É preciso lembrar que a Polícia Federal, que vem realizando um trabalho sério nesta área, não poderá sofrer qualquer revés, a partir de ingerências políticas", acrescentou o líder do PPS.

O presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), acredita que há um processo de implosão do partido da presidente Dilma Rousseff. "No PT, as coisas funcionam assim: Aos que não cumprem a ordem do rei, forca! É possível que o ministro não tenha aguentado a pressão da ala do PT, simpatizante de Lula, para que o partido tenha mais influência sobre a Polícia Federal e trabalhe para inocentar Lula", resumiu.

Paulinho da Força, como é conhecido, disse que a mudança na Esplanada pode impulsionar o processo de impeachment. "A oposição está vigilante a mais uma manobra criminosa do PT. Se Dilma permitir isso, o impeachment ganha mais força. Não vamos aceitar que um partido político trabalhe para livrar o Lula e a Dilma", afirmou em nota.

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