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‘Oposição só quer tumultuar’, afirma novo ministro

Vera Rosa - O Estado de S. Paulo

03 Abril 2014 | 22h 26

Para Berzoini, adversários de Dilma defendem CPI por ‘falta de discurso’; ele diz que governo não teme investigação da Petrobrás

Brasília - Recém-empossado na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, o ministro Ricardo Berzoini disse nesta quinta-feira, 3, que a CPI da Petrobrás faz parte de uma estratégia "eleitoreira" da oposição. Em sua primeira semana no cargo, o petista atacou o PSDB do senador Aécio Neves (MG), chamou os adversários da presidente Dilma Rousseff de "hipócritas", prometeu ouvir mais a base aliada e disse que "nem o PT" só dá alegrias ao Planalto. "O governo não tem medo da CPI da Petrobrás. Agora, sentimos que a oposição vai mais uma vez na linha do denuncismo, apenas para tumultuar o processo político", argumentou o ministro.

O sr. assume a Secretaria de Relações Institucionais num momento de grave crise política, sob a iminência de uma CPI da Petrobrás. Como o sr. vai apagar esse incêndio?

Em primeiro lugar eu não acho que há uma grave crise política. Há temperatura normal de ano eleitoral. É um momento de turbulência e aquecimento, mas decorrente principalmente da disputa que se avizinha. Agora, sentimos que a oposição, sem discurso para enfrentar o debate do que foi o Brasil no passado e o que é hoje, vai mais uma vez na linha do denuncismo, apenas para tumultuar o processo político.

Por que o governo tem medo de uma CPI da Petrobrás?

O governo não tem medo de CPI da Petrobrás. Já enfrentamos uma CPI da Petrobrás em 2009 e 2010. Mas, quando não há diálogo entre a maioria e a minoria, CPI tende a se inviabilizar. Não é que vá acabar em pizza. É que não há ambiente político para se fazer uma investigação criteriosa.

Mas a própria presidente Dilma disse que, se tivesse recebido um laudo completo sobre o contrato de compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, não teria aprovado o negócio. O sr. acha justo o preço que a estatal pagou por Pasadena?

Não houve essa diferença tão grande quanto se fala entre o valor original e o valor pago porque são valores incomparáveis. Primeiro, porque os preços desses ativos variam de acordo com a conjuntura. Segundo, porque não se contabilizaram os estoques e os investimentos feitos entre a compra original da Astra e a compra da Petrobrás. E em terceiro porque há uma série de questões que têm a ver com a demanda por refino de petróleo em cada período. Se há uma cláusula que não foi explicitada, a investigação está sendo feita pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O ideal é não se fazer uma CPI eleitoreira.

O senador Aécio Neves disse que o governo está à beira de um ataque de nervos e faz manobra diversionista para abafar a CPI a todo custo...

É nítido que não tem ninguém no governo à beira de um ataque de nervos. Nós sabemos que a gestão da Petrobrás é agora muito melhor. A gestão do PSDB foi marcada por negócios complicados, inclusive com o afundamento de uma plataforma, a P-36, no governo Fernando Henrique. Foi uma cena de filme de catástrofe, um vexame para o País.

Depois de muito vaivém, o governo agora quer incluir na CPI temas que podem desgastar Aécio e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Mas até no PT essa tática já foi chamada de ‘estupidez’. O que tem a ver a investigação da Petrobrás com o cartel do Metrô de São Paulo e problemas do Porto de Suape, em Pernambuco?

Não partiu do governo a iniciativa em relação à busca da ampliação (do escopo da CPI). O que tem a ver é que estamos tratando da investigação de contratos públicos, de empresas estatais e da administração direta. Se é para fazer CPI, se há esse afã todo, vamos fazer uma CPI mais ampla, que investigue outras questões. No caso do Metrô de São Paulo, por exemplo, há farto material que pode ser trazido para a CPI e complementado com oitivas (o PT quer convocar o ex-governador José Serra e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Robson Marinho), com quebras de sigilo. A oposição está sendo hipócrita porque não permite a realização de CPIs nas Assembleias onde tem controle.

Como o sr. vai acalmar o ‘blocão’, formado por sete partidos da base de apoio do governo Dilma, que ameaça votar contra projetos do governo?

Nós queremos manter os partidos que apoiam a presidenta Dilma na eleição de 2014. Acho que precisamos melhorar a interlocução. Isso significa conversar mais e tentar resolver questões típicas da vida política. Vamos fazer isso em termos de aliança, cumprindo acordos feitos no ano passado e também viabilizando, naquilo que seja possível e compatível com o senso republicano, a nomeação de pessoas que têm relação com o projeto político.

Se a CPI da Petrobrás não for aprovada, o PMDB vai cobrar logo a fatura do governo...

O governo não trabalha com essa lógica. Queremos buscar o entendimento. Somos parceiros do mesmo projeto, com diferenças e divergências.

Só faltou o sr. dizer, como a presidente Dilma, que o PMDB só dá alegrias ao governo...

Nem o PT só dá alegrias, nem o PMDB, nem nenhum partido. O PT também às vezes tem posições que não são as do governo e cria tensões.

O PT se preocupa com a queda de aprovação do governo Dilma e muitos dirigentes entoam o coro do Volta, Lula. Como o sr. vê esse movimento?

Em primeiro lugar, na última pesquisa (CNI/Ibope), a presidenta Dilma tem 43%, o Aécio tem 15% e o Eduardo Campos, 7%. Então, em termo de universo total dos que declaram voto, ela tem dois terços. Sobre esse coro a que você se refere, não vejo nada de relevante nesse sentido. Meu slogan é "Dilma de novo, com apoio do Lula e do povo". Nossa candidata chama-se Dilma Rousseff. Ela tem o apoio integral do PT.

O plano é que Lula seja novamente candidato em 2018?

É possível, mas vai depender da conjuntura. Nossa meta, agora, é eleger Dilma.

Dirigentes importantes do PT estão presos, condenados no processo do mensalão. O fim do financiamento privado pode acabar com o caixa 2 e a corrupção?

Pôr fim ao caixa 2 seria ingenuidade. Mas acho que o financiamento público permite à sociedade identificar quem está usando outros recursos. Temos entendimento de que não ocorreram os crimes relatados na Ação Penal 470. O que houve foi, de fato, uma consequência do encarecimento e informalidade das campanhas.

Esta será a eleição mais difícil para o PT?

Acho que eleições são sempre difíceis. A presidenta Dilma tem intenção de voto bastante superior à dos dois adversários. Por que isso não nos dá situação de tranquilidade e conforto? Porque estamos a seis meses da eleição. Não vamos ficar com salto alto. Agora, o PSDB até hoje está devendo, após duas eleições em que foi oposição, um projeto alternativo para o País. Aliás, o candidato do PSDB manifestou, num jantar com setores do empresariado (na segunda-feira, em São Paulo), que não terá medo de tomar medidas impopulares. Trata-se do cardápio que sempre foi deles, de arrocho salarial e desemprego.

 

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