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Oposição se apega a acordos nos Estados contra ampla vantagem de Dilma na TV

DÉBORA BERGAMASCO, FÁBIO BRANDT - O Estado de S.Paulo

06 Julho 2014 | 02h 01

Campanha oficial tem início hoje com Aécio e Campos tentando explorar insatisfação de legendas da base do governo como forma de compensar palanque eletrônico reduzido

A campanha eleitoral começa oficialmente hoje com os principais candidatos à Presidência da República apostando em armas distintas para chegar à vitória. Apesar das ameaças de dissidências, a presidente Dilma Rousseff fechou com as cúpulas dos partidos da base e terá o maior tempo de TV na propaganda eleitoral. Já Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) apostaram nas dissidências locais para compensar o palanque eletrônico reduzido. A dupla conseguiu mais de dez apoios em Estados que, na teoria, deveriam estar com Dilma.

A presidente da República reuniu em sua coligação nove partidos, incluindo o PT e alguns dos que mais dispõem de tempo de propaganda, como PMDB e PSD. Terá, assim, cerca de 11 dos 25 minutos de cada bloco de propaganda a partir de meados de agosto. Aécio terá cerca de 4 minutos e Campos, aproximadamente 2 minutos.

A batalha pelos partidos teve uma dissidência governista de última hora. A presidente foi surpreendida pela debandada do PTB para a campanha de Aécio.

O tucano ainda tentou atrair PR e PSD, mas o Planalto agiu para evitar mais defecções.

Se Dilma foi bem-sucedida na soma do tempo de TV, em contrapartida terá de conviver com dissidências locais, em Estados importantes como Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, entre outros. "Vamos ter um verdadeiro exército de dezenas de milhares de candidatos (regionais) acreditando na minha candidatura e pedindo voto para mim. Isso as pesquisas ainda não estão detectando, mas isso vai compensar. Muitos desses partidos que estão com a presidente na aliança nacional, cedendo o tempo de TV para o PT, estarão em suas cidades e Estados pedindo voto para mim", afirma Aécio, apesar de especialistas em marketing eleitoral considerarem a estratégia limitada.

Os tucanos esperam que as dissidências e a força do partido no Sudeste - em especial em São Paulo e em Minas Gerais - possam garantir sua ida ao 2.º turno. A partir dali, o tempo de TV é dividido igualitariamente entre os candidatos.

Terceira via. Com menor tempo de TV entre os principais candidatos, Campos também tenta se apoiar nos acordos locais fechados nos Estados, apesar da resistência de sua candidata a vice, Marina Silva. O discurso da "nova política" não resistiu à debandada de parceiros interessados em viabilizar suas próprias candidaturas locais, e o PSB acabou coligado em dois dos três maiores colégios eleitorais do País justamente com PSDB (em São Paulo) e PT (no Rio), protagonistas da polarização nacional vivida desde 1994.

Desde a redemocratização, são recorrentes as dissidências nos Estados em relação à orientação das cúpulas partidárias. Neste ano, porém, os próprios políticos trataram de dar a pecha de "bacanal eleitoral" à predominância de alianças de ocasião.

Dependência. Vice-líder do governo no Senado, Jorge Viana (PT-AC) explica a tática petista de privilegiar o palanque eletrônico em detrimento dos acordos regionais. "Em uma eleição majoritária, os que estão embaixo (candidatos regionais) é que dependem dos que estão em cima (nacionais). Não o contrário."

O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), minimiza as dissidências locais e aposta que a campanha não só vai fazer a presidente recuperar índices de popularidade como os próprios aliados rebelados.

"A reconquista de espaço político de Dilma fragiliza os dissidentes e pode causar, no decorrer da campanha, uma reaproximação", disse o senador. Para Costa, o início da propaganda eleitoral, em 19 de agosto, fará Dilma "deslanchar".

Em comparação com 2010, agora o PT ampliou o número de candidatos próprios nos Estados - e isso explica muito do descontentamento nos partidos aliados. Há quatro anos, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisava de palanques regionais fortes para apresentar Dilma, então novata nas urnas, e fez com que o PT abrisse mão de nomes próprios quando aliados como o PMDB tinham concorrentes mais bem colocados. Por isso, petistas disputaram o governo em apenas 10 das 27 unidades federativas do País. Agora, o partido terá 16 nomes nas eleições estaduais.

Divisão. O maior apetite do PT nos Estados ampliou o cardápio de acordos locais para Aécio e Campos. O PMDB do vice-presidente Michel Temer é o partido com maior número de candidatos a governador que não darão palanque à petista ou pelo menos vão dividi-lo com oposicionistas.

Eunício Oliveira, no Ceará, e Paulo Hartung, no Espírito Santo, estão coligados com o PSDB de Aécio - será a pedido do tucano que o ex-senador cearense Tasso Jereissati voltará a disputar o cargo. Outros dois peemedebistas - o gaúcho José Ivo Sartori e Nelson Trad Filho, de Mato Grosso do Sul - estão com Campos. O governador do Piauí, José Filho, dará palanque aos dois oposicionistas.

Outro partido cujos candidatos locais darão espaço para Aécio e Campos é o PP. No Rio Grande do Sul, Ana Amélia vai apoiar o tucano. Em Alagoas, Benedito de Lira está fechado com o candidato do PSB.

Até o PC do B, tradicional aliado do PT, dividirá seu principal palanque estadual. No Maranhão, o ex-presidente da Embratur Flávio Dino chegou a aparecer em foto com Aécio e tem apoio de Campos. Ele diz que Dilma também é bem-vinda.

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