Oposição quer reagir à ´distensão política´ de Lula

As lideranças de oposição iniciaram nesta terça-feira, 24, um movimento para restabelecer a unidade interna e tentar reverter o clima de conflagração pelo qual passam o PSDB e o Democratas (ex-PFL). Nesta terça-feira, os líderes dos dois partidos na Câmara, e ainda do PPS, organizaram um "almoço de paz" para discutir a relação. Após "lavar a roupa suja", segundo relatou um dos presentes, as duas legendas concluíram que as divergências só servem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É uma tentativa de organizar o trabalho da oposição, pois estamos batendo cabeça nos últimos tempos", afirmou à Reuters o líder da minoria, deputado Julio Redecker (PSDB-RS). A tentativa de diminuir as diferenças veio um dia depois de o presidente da República ter revelado a ministros que está empenhado em "aprofundar um processo de distensão política no País". Durante o dia, membros da oposição iniciaram uma ofensiva diplomática para pôr fim à crise, acentuada com a visita do presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), a Lula, no Planalto. O encontro abriu críticas dentro e fora do partido e permitiu que políticos do DEM declarassem publicamente que o aliado, ao contrário do que diz, não está fazendo oposição no Brasil. "Nós continuamos a fazer oposição. O que não vamos fazer são agressões", disse Jereissati, dizendo que este é o ambiente novo que o diálogo com Lula pode criar. O senador exemplificou como atitude oposicionista a posição de rejeitar o pedido do governo de crédito extraordinário de R$ 7 bilhões. "Nós não deixaremos aprovar (o crédito) sem que isso seja muito bem fundamentado." Diagnóstico Lula já havia se reunido com o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) e, na última segunda-feira, recebeu em seu gabinete o senador Romeu Tuma (SP), também do Democratas. O presidente tem mantido ainda conversas institucionais com os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). "Sou médico, sei que se eu errar um diagnóstico, a chance de tratamento é pequena. O meu diagnóstico é de que o governo possui alta qualidade política. Sabe tudo, inclusive dividir a oposição", disse o deputado Alceni Guerra (DEM-PR). Os dois partidos, há 13 anos aliados, vêm brigando entre si há mais de um mês. São várias divergências. Na CPI do Apagão Aéreo, as táticas são contrárias. O DEM obstrui os trabalhos na Câmara até que o inquérito parlamentar seja instalado. O PSDB, por seu lado, defende que é preciso esperar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a questão sem travar as votações da Casa. Mais, enquanto o DEM não se importa com uma investigação no Senado, os tucanos defendem o inquérito parlamentar na Câmara. Em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), proposto pelo governo, também há confusão. De um lado, os democratas querem atrapalhar a vida do Planalto atrasando a apreciação das medidas provisórias do PAC. Do outro, o PSDB prefere se livrar logo da pauta, pois julga que esta é uma agenda positiva e não vale a pena ficar contra. As divergências recaem até sobre temas que ainda não tramitam no Congresso, caso da emenda constitucional que prorroga a CPMF. Enquanto os tucanos são favoráveis à contribuição, reivindicando a partilha com Estados e municípios, os colegas de briga política prometem trabalhar para acabar com a regra. Outros focos Enquanto os líderes da Câmara tentavam entrar num acordo, Tasso Jereissati se reunia com o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). O objetivo era o mesmo: aparar arestas e discutir o trabalho da oposição daqui para a frente. Mais cedo, o PSDB teve de administrar a notícia da desfiliação da tucana Zulaiê Kobra, uma das fundadoras da legenda. Ex-deputada federal, ela atacou as estrelas de seu partido e apontou as razões para sua decisão. "Parece que está todo mundo com medo do Lula. O Serra fica puxando o saco do Lula; o PSDB está mais próximo do PT do que de tudo; o Tasso vai pedir a benção. Não posso ficar num partido em que as pessoas são devoradas pelo governo", afirmou. Novos movimentos deverão ocorrer até que a relação volte à normalidade. Contribui para isso a disposição do Democratas de seguir carreira solo a partir das eleições municipais do ano que vem. A legenda quer deixar de ser "sombra" do PSDB e lançar um candidato à Presidência em 2010.

Agencia Estado,

24 Abril 2007 | 21h46

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