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Oposição quer ouvir ex-diretor da Petrobrás sobre compra de refinaria

Andreza Matais

19 Março 2014 | 11h 39

Reportagem do 'Estado' revelou que Dilma autorizou aquisição de unidade nos EUA, alvo de investigações, mas agora presidente afirma ter sido induzida a erro em razão de 'documentos falhos'

Brasília - A oposição vai apresentar requerimento para convidar o ex-diretor internacional da Petrobrás Nestor Cerveró a prestar depoimento na Câmara dos Deputados sobre acusação da presidente Dilma Rousseff de que a diretoria internacional apresentou ao Conselho de Administração da companhia um resumo "falho" e com "omissões" acerca da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006. A acusação feita por Dilma foi publicada nesta quarta-feira, 19, em reportagem exclusiva do Estado.

Dilma era ministra da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás quando deu voto favorável ao negócio. A presidente justificou, em nota, que se baseou no resumo que agora ela classifica de "falho" e "omisso". 

A presidente afirmou, ainda, que o conselho não teria aprovado pontos do negócio se tivesse todas as informações sobre as cláusulas do contrato. Cerveró era o diretor da área internacional da Petrobrás em 2006 e participou da reunião do Conselho de Administração quando fez uma explanação sobre Pasadena. Atualmente, ele é diretor financeiro da BR Distribuidora. O Estado apurou que Cerveró é apadrinhado do ex-ministro José Dirceu.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou que vai tentar furar o bloqueio governista com a ajuda do PMDB, em crise com o Planalto, para aprovar o convite nas comissões de Fiscalização e Controle e de Relações Exteriores. "A Petrobrás se transformou num grande aparelho do PT em negócios escusos que agora envolvem a presidente", afirmou o líder. "Se o governo não tomar cuidado, vem a CPI. Trata-se de mais uma prova do despreparo da presidente. Você não pode presidir um conselho de uma empresa dessas e depois dizer que foi enganada", complementou o presidente nacional do partido, deputado Roberto Freire (SP).

A oposição também vai requisitar à Petrobrás cópia do resumo da área internacional que teria respaldado a votação do conselho a favor do negócio. A empresa mantém os documentos em sigilo e se recusa a comentar os fatos com a imprensa.

A refinaria de Pasadena foi comprada em duas etapas. Em 2006, já era considerada obsoleta quando o conselho presidido por Dilma avalizou a compra. Mais tarde, após uma disputa judicial, a Petrobrás se viu "obrigada" a comprar a outra metade da refinaria, o que custou ao final US$ 1,2 bilhão.

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