1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Oposição quer ouvir ex-diretor acusado por Dilma

ANDREZA MATAIS - Agência Estado

19 Março 2014 | 11h 52

A oposição vai apresentar requerimento para convidar o ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró a prestar depoimento na Câmara dos Deputados sobre acusação da presidente Dilma Rousseff de que a diretoria internacional apresentou ao Conselho de Administração da companhia um resumo "falho" e com "omissões" acerca da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006. A acusação feita por Dilma foi publicada nesta quarta-feira, 19, em reportagem exclusiva do jornal O Estado de São Paulo.

Dilma era ministra da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando deu voto favorável ao negócio. A presidente justificou, em nota, que se baseou no resumo que agora ela classifica de "falho" e "omisso".

A presidente afirmou, ainda, que o conselho não teria aprovado pontos do negócio se tivesse todas as informações sobre as cláusulas do contrato. Cerveró era o diretor da área internacional da Petrobras em 2006 e participou da reunião do Conselho de Administração quando fez uma explanação sobre Pasadena. Hoje, ele é diretor financeiro da BR Distribuidora. A reportagem apurou que Cerveró é apadrinhado do ex-ministro José Dirceu.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou à reportagem que vai tentar furar o bloqueio governista com a ajuda do PMDB, em crise com o Planalto, para aprovar o convite nas comissões de Fiscalização e Controle e de Relações Exteriores.

"A Petrobras se transformou num grande aparelho do PT em negócios escusos que agora envolvem a presidente", afirmou o líder. "Se o governo não tomar cuidado, vem a CPI. Trata-se de mais uma prova do despreparo da presidente. Você não pode presidir um conselho de uma empresa dessas e depois dizer que foi enganada", complementou o presidente nacional do partido, deputado Roberto Freire (PE).

A oposição também irá requisitar à Petrobras cópia do resumo da área internacional que teria respaldado a votação do conselho a favor do negócio. A empresa mantém os documentos em sigilo e se recusa a comentar os fatos com a imprensa.

A refinaria de Pasadena foi comprada em duas etapas. Em 2006, já era considerada obsoleta quando o conselho presidido por Dilma avalizou a compra. Mais tarde, após uma disputa judicial, a Petrobras se viu "obrigada" a comprar a outra metade da refinaria, o que custou ao final US$ 1,2 bilhão.