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Oposição quer convocar empresário do ABC e sócios de assessoria para CPI da Petrobrás

Andreza Matais e Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 13h 03

Oposição quer que Ronan Maria Pinto e sócios da Remar Agenciamento e Assessoria expliquem contrato de empréstimo com Marcos Valério, operador do mensalão

 BRASÍLIA - A oposição vai convocar o empresário do ABC paulista Ronan Maria Pinto e os sócios da Remar Agenciamento e Assessoria para que expliquem na CPI da Petrobrás por que um contrato de empréstimo entre eles e o operador do mensalão, Marcos Valério, estava no escritório da contadora do doleiro Alberto Youssef, investigado pela comissão. A existência do documento foi revelada pelo Estado na edição deste sábado.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou ao Estado que a contadora de Youssef, Meire Poza, também será questionada pela CPI sobre o contrato encontrado em seu escritório. O requerimento de convocação da contadora deve ser votado na próxima reunião da CPI. 

Youssef está preso acusado de comandar um esquema de corrupção envolvendo contratos com a Petrobrás. O documento revelado pelo Estado é o primeiro elo entre o esquema do doleiro e o operador do mensalão do PT. 

“Com a delação premiada do Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobrás envolvido no esquema de Youssef] e com essa revelação do elo entre Valério, Ronan e Youssef, vamos conseguir desmontar o aparelhamento do estado feito pelo PT. A revelação do contrato entre Valério e Ronan é uma prova de que o mensalão não foi totalmente apurado. E muita coisa do mensalão começou em Santo André”, disse Bueno. O mensalão consistiu na compra de apoio político para o governo Lula por dirigentes do partido, condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo esquema. 

O contrato apreendido pela PF no escritório da contadora de Youssef, conforme revelou o Estado, é de um empréstimo de R$ 6 milhões entre a 2 S Participações LTDA, empresa de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto. O documento é assinado por Valério e a Remar Agenciamento e Assessoria. No último parágrafo do contrato, contudo, está escrito que a empresa de Ronan é a mutuaria do empréstimo.

Em depoimento ao Ministério Público no ano passado, revelado pelo Estado, Valério afirmou que dirigentes do PT pediram a ele R$ 6 milhões que seriam para o empresário Ronan Maria Pinto. O dinheiro serviria, segundo Marcos Valério, para que o empresário parasse de chantagear o ex-presidente Lula, o então chefe de gabinete pessoal de Lula,  Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da presidente Dilma Rousseff, e o ex-ministro José Dirceu. Por trás das ameaças estaria a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), executado em janeiro de 2002. Sob suspeita de que foi um crime político, o caso foi encerrado pela polícia de São Paulo como crime comum.

Procurado por meio do Instituto Lula, o ex-presidente Lula afirmou que não se manifestaria. A assessoria de imprensa do ministro Gilberto Carvalho não se manifestou até a publicação deste texto.

O nome da Expresso Nova Santo André, da qual Ronan Maria é sócio, aparece apenas no último parágrafo do contrato assinado por Marcos Valério (que assina o documento) e por um representante da Remar Agenciamento e Assessoria. No documento, contudo, esta claro que a empresa de Ronan é “mutuária” do acordo de empréstimo.

A Remar está em nome de Oswaldo Rodrigues Vieira Filho e Salua Sacca Vieira. Ela afirmou ao Estado que seu nome foi colocado como sócia da empresa pelo ex-marido, Oswaldo, sem seu consentimento. “Meu nome estava aí de gaiato, de bobeira. Não trabalhava com ele, não sei o que essa empresa faz”, afirmou Salua. Ronan nega ter feito contrato com Valério.