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Elza Fiúza|Estadão

Oposição pede convocação de ministro da Saúde para depor na Câmara

Oficialmente, requerimento pede que ministro esclareça sobre as ações de combate ao Zika, mas o aliado de Cunha, Paulinho da Força admitiu que a ideia e tentar constranger o político para que ele não tire licença e vote em Leonardo Picciani na eleição da liderança do PMDB na Câmara

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Igor Gadelha,
O Estado de S. Paulo

16 Fevereiro 2016 | 13h24

Brasília - Líderes da oposição na Câmara protocolaram nesta terça-feira, 16, requerimento pedindo a convocação do ministro da Saúde, Marcelo Castro, para prestar depoimento no plenário da Casa. Segundo o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), opositores já combinaram com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se comprometeu a colocar o requerimento em votação na sessão plenária desta tarde. 

Oficialmente, o requerimento pede a convocação de Marcelo Castro para prestar esclarecimentos sobre as ações de combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor do vírus da dengue, zika e febre chikungunya. "Pela gravidade da situação em tela, além dos muitos outros focos divulgados diariamente pela grande imprensa, julgamos de fundamental importância e urgência a convocação do ministro da Saúde, afim de prestar esclarecimentos perante o Plenário desta Casa", diz o documento.

Paulinho da Força admitiu, contudo, que a ideia é tentar constranger o ministro e, dessa forma, inibi-lo a deixar o cargo temporariamente para apoiar a recondução de Leonardo Picciani (RJ) à liderança do PMDB na Casa. Picciani é o candidato preferido do Planalto e concorre com Hugo Motta (PB), apoiado pela ala pró-impeachment. "Vamos pedir para ele explicar como, diante dessa crise toda, ele sai para vir votar na liderança do PMDB", afirmou o presidente do Solidariedade. 

Como mostrou o Estado, a provável licença de Marcelo Castro coloca em risco sua permanência no cargo. A presidente Dilma Rousseff liberou o ministro para retomar o mandato de deputado e apoiar Picciani na eleição prevista para esta quarta-feira, 17, mas deixou claro que a decisão será dele e que, por ela, "isso não ocorreria". Apesar das especulações, o ministro ainda não confirmou se pedirá exoneração temporária pra apoiar Picciani. 

A ideia do requerimento foi do líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). Além dele e de Paulinho da Força, assinam o pedido os líderes do PSDB, Antônio Imbassahy (BA); do Solidariedade, Arthur Oliveira Maia (BA); do PPS, Rubens Bueno (PR); e da minoria, Miguel Haddad (PSDB-SP). "Já combinamos com Eduardo (Cunha) de votar o requerimento hoje", disse Paulinho da Força.

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