Oposição pede 'cautela' em projeto de repatriação de recursos

Parlamentares veem risco de proposta em trâmite na Câmara 'chancelar' recursos ilegais e provenientes de corrupção

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 18h50

Brasília - Líderes de oposição dizem que é preciso tratar com "cautela" o projeto de lei de repatriação de recursos de brasileiros no exterior, previsto para ser votado nesta quarta-feira, 28, no plenário da Câmara dos Deputados. Eles dizem que o tema é "delicado" por correr o risco de "chancelar" recursos ilegais e provenientes de corrupção.

O líder do Solidariedade, Arthur Maia (BA), disse nesta tarde que 100% do dinheiro que está fora do País é ilegal e que "não existe ninguém no Brasil que tenha ganhado dinheiro honesto e tenha mandado para fora". "É muito ruim para o Brasil votar um projeto dessa natureza neste momento", declarou. 

Maia afirmou que o projeto acarreta um déficit moral maior do que o déficit fiscal do governo. "Repatriar sem fazer análise de onde vêm esses recursos é chacota com o trabalhador brasileiro", emendou o líder, desconversando sobre o caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de ter contas na Suíça.

Os oposicionistas discordam do texto apresentado pelo relator Manoel Júnior (PMDB-PB) e concluem que há risco de legalização de recursos ilegais. Eles afirmam que é preciso melhorar a questão da origem do dinheiro prevista no projeto que passou pela comissão especial. "O dilema é como separar o joio do trigo. O texto do relator tem de ter aprimoramento", avaliou o líder da minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE). 

Meta fiscal. Após o governo anunciar que o déficit primário previsto para este ano será de R$ 51,8 bilhões, sem contar com as chamadas pedaladas fiscais, os parlamentares de oposição dispararam críticas. "Não vamos aceitar a correção da meta porque Dilma é reincidente", disse Araújo.

O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), afirmou que a nova revisão mostra que há desgoverno na área econômica. Ele lembrou o conflito de opiniões entre os Ministérios da Fazenda e do Planejamento e disse que não existe unidade porque a presidente da República não arbitra, agravando ainda mais a crise. "É um governo sem planejamento, sem pauta. O governo não se acha, não se encontra", declarou.

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