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Oposição e governistas divergem sobre delação premiada do senador Delcídio Amaral

- Atualizado: 03 Março 2016 | 12h 58

O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) cobrou explicações sobre a acusação de a presidente Dilma Rousseff ter interferido na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. Para o deputado Silvio Costa (PSC-CE), vice-líder de governo, é um desrespeito "querer colocar Dilma nesse lamaçal".

Brasília - Durante a sessão plenária desta manhã na Câmara dos Deputados, a oposição cobrou um posicionamento do governo e do PT sobre a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS). O vice-líder do governo, Silvio Costa (PSC-PE), se pronunciou em plenário questionando a veracidade da revelação da revista IstoÉ e reclamou que delação premiada só serve para atacar o governo.

Coube ao deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) pedir explicações à bancada do PT sobre a acusação de que a presidente Dilma Rousseff atuou três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. "Nós queremos neste instante ouvir a fala do PT", discursou o tucano na tribuna.

Veja a trajetória política de Delcídio Amaral
André Dusek/Estadão
Delcídio Amaral

Natural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral se formou engenheiro eletricista pela Escola de Engenharia de Mauá, em e participou da construção e montagem da Usina de Tucuruí, no Pará, obra que durou de 1976 a 1984. Depois de passagem pela Shell, na europa, foi diretor da Eletrosul em 1991, estatal responsável pelo planejamento energético da região sul. Foi ministro de Minas e Energia do governo Itamar Franco, de setembro de 1994 a janeiro de 1995

 

Em discursos inflamados, a oposição falou em plenário que a presidente e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, sabiam da atuação do ex-líder do governo no Senado. Os deputados voltaram a repetir que Dilma perdeu a condição de se manter no cargo. "Este governo não tem a mínima condição de continuar à frente deste País. A presidente não pode fazer mais ouvido de mercador. As acusações só se acumulam", insistiu o deputado do PSDB. "Chega, presidente, não dá mais", emendou.

 

Após o discurso do deputado tucano, foi a vez do presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), defender o afastamento de Dilma. "Impeachment poderia ter evitando há muito tempo esses constrangimento", afirmou. O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), comparou as denúncias ao período pré-impeachment de Fernando Collor. "Aqui está novamente Pedro Collor, agora travestido de senador".

 

Enquanto o tucano discursava, um dos vice-líderes do governo, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), ironizou as declarações do tucano. "Ele acha que isso é verdadeiro? Isso é barriga", disse ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

 

"Delação premiada tem de ter verdades", disse Silvio Costa em discurso na tribuna. "Entre a palavra do senador Delcídio e a da presidente Dilma, tenho certeza que os 204 milhões de brasileiros preferem acreditar na presidente Dilma. Se Delcídio fez realmente a delação, duvido ele ter chegado para a presidente e ter dito: vamos colocar esse Marcelo Navarro, um homem digno, que ele vai jogar com a gente, que ele vai fazer um arrumadinho para livrar as pessoas da Lava Jato", completou.

 

Costa lembrou a trajetória política de Dilma e sua luta contra a ditadura militar. "Uma pessoa vir à tribuna e querer colocar Dilma nesse lamaçal é um desrespeito ao ser humano. Vocês não têm o direito de agredir a presidente Dilma desta forma. Dilma não é Collor, não é Aécio Neves", afirmou o vice-líder, citando as denúncias de recebimento de propina pelo líder tucano e dizendo que o partido de oposição não pode falar de ética.

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