Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Oposição diverge sobre convocação de Lula em CPI

Aécio critica empreiteiras que tratam País como ‘republiqueta’ ao recorrerem a ex-presidente, mas discorda de DEM e PPS, que querem ouvir petista

Daiene Cardoso e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 12h25

Atualizado às 22h07

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta sexta-feira, 20, que emissários de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato recorrerem a uma interferência política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é tratar o Brasil como se fosse “uma republiqueta”. O tucano, no entanto, disse não ser a hora de pedir a convocação do petista na futura CPI da Petrobrás, medida defendida por outros partidos de oposição, como PPS e DEM.

“Recorrerem a um ex-presidente como se o Brasil fosse uma republiqueta, onde a interferência política pudesse mudar o rumo de investigações, é desconhecer a realidade de um País que, se não avançou nos seus procedimentos éticos em razão do que aconteceu nos últimos 12 anos, felizmente avançou do ponto de vista da solidez das instituições”, afirmou Aécio, em entrevista coletiva. 

Como o Estado revelou, Lula e Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, têm recebido emissários de empreiteiras alvos da Lava Jato desde o fim do ano passado. Eles pediram interferência política do ex-presidente a fim de evitar o colapso econômico das empresas. 

Para Aécio, os políticos precisam estar “vigilantes” para que não haja qualquer manipulação ou tentativa de tentar manipular o andamento da Lava Jato. “(Ela) deve continuar caminhando estritamente na esfera judicial e obviamente policial.”

O tucano deu entrevista após a presidente Dilma Rousseff falar com os jornalistas sobre a Lava Jato e os desvios na Petrobrás, entre outros temas. Aécio se disse “surpreso” com as declarações da petista.

“Tem uma dose de desespero porque o governo perdeu o controle sobre o processo, mas as coisas vão surgir. Não há como segurar isso”, afirmou Aécio. O tucano, para quem o esquema servia a um “projeto de poder”, criticou as declarações de Dilma de que os desvios na Petrobrás deveriam ter sido investigados ainda na gestão Fernando Henrique Cardoso. “A presidente zomba da inteligência dos brasileiros.”

Discordância. Aécio adotou tom mais cauteloso ao falar sobre a convocação de Lula à CPI da Petrobrás que será instalada pela Câmara na quinta-feira. O líder do PSDB na Casa, Carlos Sampaio (SP), afirmou que a prioridade é apresentar requerimentos de quebras de sigilo bancário, telefônico e fiscal e de convocação dos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, do ex-diretor da Petrobrás Renato Duque e do ex-gerente Pedro Barusco, entre outros. “Se tivermos uma ligação que ele (Lula) está tentando fazer alguma conexão política, aí é o momento para ele depor.”

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), defendeu a ida de Lula à CPI. “Se ele for honesto, se disporia a depor na CPI. Nenhum homem público pode se negar a falar sobre o que fez.”

Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM no Senado, também se disse favorável à convocação do petista. “Lula e Dilma são os autores intelectuais do processo.”

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