Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Oposição conta com dissidentes da base aliada para atrapalhar governo Temer na Câmara

Oposicionistas avaliam que a base aliada de 411 deputados está se dissolvendo a passos largos

Daiene Cardoso, de Brasília, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 17h56

Partidos de oposição na Câmara contam com dissidentes da base aliada para atrapalhar a vida do governo de Michel Temer nos próximos dias. Atentos ao volume crescente de governistas convencidos de que o presidente da República deveria renunciar ao cargo, a oposição espera paralisar os trabalhos da Casa a partir da semana que vem com o apoio de mais de 160 deputados.

Os oposicionistas avaliam que a base aliada de 411 deputados está se dissolvendo a passos largos e apostam que partidos como PPS, PTN, a maior parte da bancada do PSB, dissidentes do PSD, PHS, PROS, PTB, PP, PV, Solidariedade e até do PMDB estarão dispostos a obstruir as votações. Juntos, a oposição (que tem atualmente aproximadamente 100 deputados) e os dissidentes poderiam chegar de 160 a 180 deputados. "Com esse clima e 400 presentes, se a gente fizer obstrução violenta, não vota nem Medida Provisória", previu o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), disse que o grupo vai iniciar o movimento de aproximação com os dissidentes. "Nós contamos com isso. Vamos trabalhar para ter condição de parar a Casa. Com certeza, a Câmara não vai trabalhar normalmente", afirmou. O petista reconhece que não haverá alinhamento absoluto com os dissidentes na estratégia de plenário contra o governo, tampouco formação de bloco.

O líder do PDT, Weverton Rocha (MA), calcula que ao menos 200 deputados governistas demonstraram nos últimos dias desconforto com a situação. "Eles não têm condição de acompanhar o governo e vão deixar o governo na mão", aposta.

Tucanos que assinaram um dos pedidos de impeachment contra Temer disseram que não pretendem obstruir votações de Medidas Provisórias ou outras matérias importantes, principalmente porque não querem se misturar à estratégia da oposição liderada pelo PT. Eles, no entanto, admitem que não há mais ambiente político dar andamento à Reforma da Previdência. "O projeto estava morto há muito tempo", observou o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), um dos signatários do pedido de afastamento de Temer. O pedido protocolado ontem, 18, deve ser aditado para receber mais adesões, aumentando o racha na bancada. "O governo Temer é a continuidade do governo Dilma em termos de corrupção", emendou o deputado João Gualberto (BA), que liderou entre os tucanos o pedido de impeachment de Temer.

Se por um lado há disposição para dar fluxo à pauta de votações, os tucanos dissidentes prometem se revezar nos discursos pregando a renúncia. "Renúncia é o melhor caminho. Quanto mais rápido resolver a situação, melhor", declarou Coelho. A posição é a mesma dos oposicionistas, que, além dos pedidos de impeachment, consideram que o peemedebista não tem mais condições de governar.

Enquanto a oposição ensaia uma aproximação, legendas que integram a base aliada ainda tentam digerir o volume de denúncias envolvendo o presidente da República e devem tomar um posicionamento oficial na próxima semana. Esse é o caso do PSD, que espera a repercussão da delação do empresário Joesley Batista para avaliar para que lado vai. "Se não tiver condição de governabilidade, não dá para continuar", comentou o líder da bancada, Marcos Montes (MG).

Montes já recebeu ligações de colegas de bancada avisando que não votarão mais com o governo e que tendem a aderir à obstrução. O líder também sugeriu a suspensão da tramitação da reforma previdenciária.

No Solidariedade, já havia consenso na bancada de declarar voto contra ao texto da Reforma da Previdência. Ele acredita que não haverá votações na próxima semana. "Acho que nem vai ter pauta", disse o líder Áureo (RJ). 

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