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Dida Sampaio|Estadão

Oposição cobra prisão e demissão de Mercadante do Ministério da Educação

Ministro teria oferecido dinheiro para assessor de Delcídio Amaral em troca de o senador petista não fazer acordo de delação premiada; reportagem diz que negociação ocorreu quando o ex-líder do governo no Senado estava preso

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Daiene Cardoso e Ricardo Brito,
O Estado de S.Paulo

15 Março 2016 | 12h35

Brasília - Líderes de oposição na Câmara cobraram nesta terça-feira, 15, a demissão do ministro da Educação, Aloizio Mercadante. No acordo de delação premiada, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Delcídio Amaral (PT-MS) informou que o ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma e atual ministro da Educação prometeu dinheiro e ajuda para que Delcídio deixasse a prisão e escapasse do processo de cassação de mandato no Senado. A informação foi publicada pelo site da revista Veja na manhã desta terça-feira.

"O governo está em metástase, acabou", comentou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). Diante da denúncia, o parlamentar disse que não há outra alternativa senão a demissão imediata do ministro da Educação. "O governo perdeu o mínimo de equilíbrio para continuar governando", concluiu.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), lembrou que Delcídio foi preso por tentativa de obstrução das investigações da Operação Lava Jato e que a mesma acusação caberia a Mercadante. "Se (o governo) tivesse dignidade, exoneraria imediatamente o ministro", afirmou.

Segundo a reportagem, o objetivo era evitar que o senador, antes considerado peça-chave do governo na estratégia de evitar o avanço da Operação Lava Jato, fizesse o acordo de delação. A tentativa de negociação não foi feita diretamente com o senador, que estava preso, mas com o assessor José Eduardo Marzagão.

Prisão. Com base no mesmo argumento de Imbassahy, o líder do DEM o Senado, Ronaldo Caiado (GO) defende que o STF deveria determinar a prisão de Mercadante, pela suposta tentativa de suborno feita a Marzagão. Para Caiado, a gravação divulgada pela revista deixou claro que o objetivo de Mercadante foi dificultar que a Justiça tivesse acesso às provas e, por isso, o tratamento ao ministro não pode ser "um milímetro" diferente ao dado a Delcídio.

"O que o assessor fez foi gravar a conversa. Ninguém prendeu o filho do Cerveró, então vamos colocar as coisas no seu devido lugar. Não é diferente. Ele tem um foro diferenciado como se tem um senador da República. O que precisamos neste momento é encarar esse fato como sendo então uma rotina que se aplicará a todos independente de ser senador, ministro, qualquer autoridade política do país", disse Caiado, citando o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

Caiado, entretanto, disse que não poderia agir com "achismo" sobre se Mercadante agiu a mando de Dilma. Para o senador Álvaro Dias (PV-PR), isso ficou "subentendido" dos diálogos entre o assessor de Delcídio e o ministro da Educação. Defensor do afastamento da petista, ele disse que, embora não caiba a alguém da oposição pedir a presidente que demita um ministro, se Dilma se sente "parceira neste ato" é ela quem deve se demitir a si própria.

Impeachment. O senador do DEM afirma que a homologação da delação será apensada ao pedido de impeachment que tramita na Câmara. Para ele, essa inclusão vai dar "mais substância" ao pedido por se tratar de, em sua avaliação, uma "prova objetiva" de que houve o envolvimento das estruturas de governo nas gestões Lula e Dilma. "Além das pedaladas, ela (Dilma) foi responsável por criar uma situação de facilitar a saída de empresários envolvidos na Lava Jato", disse Caiado.

O líder do Democratas referiu-se ao trecho da delação de Delcídio em que ele implicou Dilma ao afirmar que ela indicou um ministro do Superior Tribunal da Justiça (STJ) numa tentativa frustrada de livrar da cadeia dois presos da Lava Jato, os empreiteiros Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez. Dilma nega as acusações.

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