Oposição aperta cerco a Renan e já discute renúncia

Partidos do PSDB e DEM querem evitar que processo seja arquivado nesta quarta

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h53

Os partidos de oposição PSDB e DEM (ex-PFL) apertaram o cerco em torno do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e tentarão evitar que o Conselho de Ética encerre nesta quarta-feira o processo contra o senador e discutem sua renúncia. "Seria melhor para todos se o presidente Renan Calheiros renunciasse ou pelo menos pedisse licença do cargo que ocupa. Ele está pensando mais nele próprio do que no Senado e comprometendo a imagem da instituição", disse o líder DEM, José Agripino Maia (RN). A situação de Renan se complicou ainda mais porque não há unidade entre os governistas quanto à suspeita de que ele teria fraudado a contabilidade de seus negócios agropecuários para justificar sua renda pessoal. O processo contra o senador no Conselho de Ética foi aberto para apurar suspeitas de que ele teria utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha nascida em 2004. Para contestar a suspeita, o presidente do Senado alegou que teria rendimentos provenientes da venda de gado, mas reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, colocou em xeque a contabilidade de suas fazendas em Alagoas. A Polícia Federal deve apresentar ainda nesta terça-feira um laudo pericial dos documentos apresentados por Renan para contestar acusação de superfaturamento. Se confirmada, a acusação configura quebra de decoro parlamentar, sujeitando Renan à perda de mandato, por recomendação do Conselho de Ética. "O problema nem é mais em relação à denúncia original, mas à documentação referente aos bois do presidente do Senado", acrescentou Agripino. Renúncia A aliados, Renan tem dito que não renuncia à Presidência. Ele pretende obter maioria entre os 15 membros do Conselho de Ética para arquivar o processo em sessão marcada para quarta-feira, anexando o laudo da perícia. As bancadas do DEM e do PSDB reúnem-se antes da sessão do conselho para articular o voto contrário a Renan. Somados ao PSOL e ao PDT, a oposição teria sete votos para prorrogar o processo até uma investigação completa da situação fiscal do presidente do Senado. "Mesmo que o Renan consiga uma vitória apertada no conselho, a situação dele não muda: é uma fratura exposta. A pressão de fora para dentro está funcionando e exige uma definição do Senado", disse o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Para manter a escassa maioria de oito votos, Renan precisa contar com o senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Renato Casagrande (PSB-ES), que só vão se definir depois de examinar o resultado da perícia contábil. O vice-presidente do Senado e eventual substituto de Renan até nova eleições em caso de renúncia, Tião Viana (PT-AC), diz que há "interesses políticos diversos" conjugados para desestabilizar Renan Calheiros, um dos principais aliados do Palácio do Planalto. "Precisamos dar apoio regimental e político a Renan", disse Viana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.