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Eleições 2014

Oposição ainda avalia qual discurso adotar no Mundial

Débora Bergamasco - O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2014 | 22h 59

Grupo busca discurso ideal, tendo em vista que muitos dos seus governadores receberão jogos, colocaram recursos públicos na construção de estádios e terão de lidar com manifestações

A realização da Copa do Mundo no Brasil acabou se tornando motivo de preocupação para boa parte dos governantes do País. A oposição ainda articula o discurso ideal, tendo em vista que muitos dos seus governadores receberão jogos, colocaram recursos públicos na construção de estádios e terão de lidar com o risco de violência em manifestações.

Das 12 capitais que serão sede da Copa, cinco estão localizadas em Estados governados pela oposição: São Paulo, Minas Gerais, e Paraná, pelo PSDB; Rio Grande do Norte, pelo DEM; e Pernambuco, pelo PSB.

Em Minas Gerais, governado por Antonio Anastasia (PSDB) e reduto eleitoral do presidenciável Aécio Neves (PSDB), o Mineirão recebeu R$ 295 milhões de recursos estaduais e R$ 400 milhões de financiamento federal.

O governador e também presidenciável Eduardo Campos (PSB) colocou R$ 132,6 milhões na Arena Pernambuco, que se somaram aos R$ 400 milhões do financiamento federal.

Além dos gastos públicos questionados nos protestos de rua, há obras de mobilidade urbana – boa parte delas com recursos estaduais – atrasadas em praticamente todas as cidades-sede.

Outro problema para os governadores oposicionistas é que as polícias militares que eventualmente terão de reprimir manifestantes na Copa são subordinadas a eles. Na hipótese de o Brasil vencer o torneio, a oposição terá dificuldade em elaborar um discurso crítico que seja absorvido pela população.

‘Sagrado’. Em razão disso, a saída, por ora, analisada pela oposição é jamais questionar a escolha do Brasil para sediar o campeonato mundial do esporte mais popular do País.

De acordo com líderes ouvidos pelo Estado, o assunto futebol é visto como "sagrado". Nas palavras dos oposicionistas, o governo federal será atacado nos quesitos "falta de planejamento" e "incapacidade de gestão". A intenção é mostrar que o Brasil não está conseguindo aproveitar a oportunidade de sediar a Copa para dar um salto na infraestrutura, desenvolvimento e legado social.

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