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Oposição afirma que vai instalar CPI mista da Petrobrás nesta quarta

Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta - O Estado de S. Paulo

20 Maio 2014 | 20h 30

Em retaliação à base do governo, que não indicou representantes para comissão parlamentar exclusiva no Senado, oposicionistas devem realizar 'de qualquer forma' a primeira reunião

Brasília - Mesmo com a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás no Senado esvaziada, a base governista no Congresso deixou de fazer as indicações de parlamentares que vão compor a comissão mista. Em retaliação, a oposição avisou que fará nesta quarta-feira, 21, de qualquer forma, a primeira reunião da CPMI.

No último dia do prazo regimental para a apresentação dos nomes, só o PROS da Câmara indicou representante, o deputado Márcio Junqueira (RR). No Senado, o bloco União e Força, comandado pelo PTB, escolheu seu líder, o senador Gim Argello (PTB-DF). Os dois maiores blocos do Senado, liderados pelo PT e PMDB e que englobam o PP e o PDT, ignoraram o prazo final.

Para pressionar a instalação da CPMI, a oposição instalou no Salão Verde da Câmara um painel com as fotos dos parlamentares já indicados para participar do colegiado e os partidos que ainda não apresentaram seus representantes.

Acusando o Palácio de Planalto de boicotar a CPMI em detrimento da CPI exclusiva do Senado, os oposicionistas afirmam que a comissão mista é a única forma de se investigar a estatal de forma imparcial. "É muito clara a ação da presidente Dilma Rousseff para evitar que a Petrobrás seja investigada", disse o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA). Os líderes partidários criticaram a CPI "chapa branca" do Senado.

Com 19 parlamentares já indicados, oposicionistas afirmam que terão condições fazer a reunião de instalação da CPMI hoje. "De amanhã (hoje) não passa", previu o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).

Bate-boca. Preocupados em garantir que a realização da última sessão ordinária das cinco exigidas pelo regimento, a oposição pressionou para o encerramento da homenagem aos 90 anos da Coluna Prestes - o que gerou revolta entre aliados.

Os tucanos entenderam que os governistas manobravam para adiar a instalação da CPMI para a próxima semana. "Dependemos de contar prazo para que a CPMI seja instalada e a nós interessa manter o regimento interno. É uma questão política que está em jogo", disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

A deputada Alice Portugal (PC do B-BA) e o secretário-geral da Mesa, Mozart Vianna, chegaram a subiram o tom da discussão. "Foi realizado um ato de violência contra a história do País. Contra convidados que vieram ao Plenário - e foram banidos - num ato grotesco e completamente descabido, uma pressão burocrática da Secretaria-Geral da Mesa e do deputado Izalci (PSDB-DF)", reclamou Portugal. "Para mim não importa se é oposição ou situação. Tem de cumprir o regimento", rebateu o secretário. / COLABOROU RICARDO BRITO