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Operação faz buscas na casa de aliados de Blairo Maggi

FABIO FABRINI - Agência Estado

20 Fevereiro 2014 | 19h 52

A Polícia Federal fez, na quarta-feira, 19, buscas nas casas de aliados políticos dos senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Pedro Taques (PDT-MT) em operação que investiga crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. O suposto esquema teria conexões em Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Distrito Federal.

Fernando Mendonça, um dos alvos da Operação Ararath, foi o maior doador da campanha de Taques nas eleições de 2010. Mendonça é filiado ao PDT e a filha dele trabalha no gabinete do senador em Brasília. Ex-secretário do governo de Silval Barbosa (PMDB) e na gestão de Maggi, tendo comandado a Fazenda e várias outras pastas por 12 anos, Eder Moraes, do PMDB, também é investigado.

Em entrevista ao Grupo Estado, o ex-secretário disse se sentir "escanteado" pelos dois políticos. "Atuei muito forte, sob as ordens de Silval e de Maggi. Tanto um como o outro não se dignaram a me ligar, em solidariedade", reclamou.

O ex-secretário diz desconhecer detalhes das investigações, negou ter cometido qualquer irregularidade e destacou que, à frente da Secretária da Fazenda, pagou mais de R$ 500 milhões em precatórios e passivos do Estado a diversas empresas, algumas investigadas na operação. "Se, daí para a frente, há qualquer problema ou ilícito, cada um tem de se justificar", concluiu.

A PF apurou que o grupo possuía uma "intensa e vultosa" movimentação financeira, por intermédio de recursos de terceiros e empréstimos, com atuação análoga a de uma instituição financeira. Empresas de fachada e de factoring eram usadas. Entre elas, segundo a PF, a Piran Factoring, do empresário Valdir Piran, que tem amigos influentes no Judiciário. Em maio de 2012, ele foi um dos convidados da festa de aniversário da filha do advogado José Geraldo Alckmin, que contou com a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Grupo Estado procurou Piran na sua empresa, mas ele não retornou.

Taques afirmou que "não tem nada a temer" e que sua amizade com o empresário investigado será mantida, bem como o emprego da filha dele, até que ele conheça o teor da investigação, que tramita em sigilo. Procurado, por meio de sua assessoria, Maggi não se pronunciou. O governador Silval disse, também por assessores, que o ex-secretário atuou sob suas ordens, sim, mas sempre "com a maior correção e lisura." Segundo o governador, quem pediu demissão do governo foi Eder.

A Operação Ararath, iniciada em novembro, esta na quarta fase. Conforme o "Diário de Cuiabá", mais de R$ 126 milhões em cheques e notas promissórias foram apreendidos na última fase deflagrada quarta. No total, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão, sendo 17 em Mato Grosso. Desses, 16 foram na Capital e um em São José do Rio Claro. O delegado que comanda a operação, Wilson Rodrigues, afirmou ao "Estado" que não daria detalhes por se tratar de uma investigação sigilosa.