Célio Messias/01.01.2011
Célio Messias/01.01.2011

Ônus e Bônus da 'primeira-mãe'

Dilma Jane deixou a casa em Belo Horizonte para morar perto da filha, mas quase não a vê

Julia Duailibi, de O Estado de S. Paulo

09 Abril 2011 | 16h00

Cândida Dornelles Vargas, Maria Justina Dutra, Julia Kubitschek de Oliveira, Leonor da Silva Quadros, Leda Collor de Mello, Dilma Jane Rousseff. Os sobrenomes conhecidos indicam que essas mulheres participaram - com mais ou menos influência - da história política brasileira. Seus filhos tornaram-se presidentes da República.

 

Dos casos citados acima, o da mãe de "Dilminha" - apelido pelo qual Dilma Jane, de 86 anos, chama a filha, a presidente Dilma Rousseff - comporta diferenciais. Primeiro, tornou-se "primeira-mãe" por causa da filha, não do filho, como nos demais casos. Depois, mudou-se para Brasília com a irmã Arilda, e passou a viver entre o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto, provocando outro ineditismo: pela primeira vez na história deste País, as residências da Presidência da República passaram a ter apenas mulheres como inquilinas oficiais.

 

Dilma Jane Coimbra Silva nasceu em Nova Friburgo em 1924. Filha de pecuaristas, mudou-se para Minas Gerais ainda jovem. Conheceu em Uberaba Petar Russev, ou Pedro Rousseff, imigrante búlgaro que abandonou o país de origem em 1929. A professora tornou-se a segunda mulher de Pedro, 26 anos mais velho e com quem teve três filhos: Igor, Dilma Vana e Zana Lúcia, que morreu aos 26 anos em 1976.

 

"Lembro de dona Dilma sempre muito bonita, educada e gentil. Deixava a gente arrastar móveis e brincar pela sala", conta Sandra Borges da Costa, amiga de infância da presidente, que morava na casa em frente à dos Rousseff, em Belo Horizonte.

 

Em entrevistas, Dilma Jane afirmou já ter se esquecido do período mais difícil da sua vida: a prisão da filha em 1970. Disse que, até então, não sabia do envolvimento dela em movimentos contra o regime militar. Durante três anos, foi quase todos os finais de semana, de ônibus, até São Paulo visitar a filha presa. Algumas vezes acompanhada da mãe do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Geralda Damata, que continuava a viagem até Porto Alegre, onde o filho também cumpria pena.

 

"Eu conheci (Dilma Jane) quando estava preso. Mandei uma carta para ela me apresentando e ela foi me visitar. Fiquei impressionado com a beleza", disse o ex-marido da presidente Carlos Paixão Araújo, preso logo após começar o relacionamento com Dilma, que durou 30 anos.

 

Dilma-mãe não esperava que a filha fosse se tornar presidente da República. "Eu nunca imaginei que ela chegaria à Presidência. Muito menos que ela queria", afirmou a um programa de TV logo após a eleição.

 

O livro Rousseff, escrito pelos jornalistas Jamil Chade, do Estado, e Momchil Indjov, relata a relação de Dilma Jane com a família do marido, inclusive com Luben, meio-irmão de Dilma que ficou na Bulgária. A família de Pedro soube de sua morte, em 1963, por um telegrama. A partir daí, Luben trocou várias cartas com a segunda mulher do pai. Em 1991, avisou que gostaria de conhecer a família brasileira. De acordo com o livro, mandou cinco ou seis cartas, sem resposta.

 

Dilma Jane acompanha o dia a dia da filha mais pelos jornais, revistas e telejornais. Está sempre bem arrumada e maquiada. Deixou a casa de Belo Horizonte - com plantas, cães e rede na varanda - para acompanhar a filha. Em Brasília, gostou inicialmente da Granja do Torto, mas reclamou da umidade. No Alvorada, não gostou da quantidade de escadas. Recentemente, confidenciou a um amigo da família que, se soubesse que veria tão pouco a filha, teria ficado na sua casa em Minas. Ônus de "primeira-mãe".

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