Octavio Frias de Oliveira é enterrado em São Paulo

O empresário Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha, foi enterrado nesta segunda-feira, 30, no cemitério Gethsêmani, no Morumbi, em São Paulo. O publisher do Grupo Folha morreu às 15h25 do domingo, 29, aos 94 anos, em São Paulo. Desde novembro, ele vinha se recuperando de uma cirurgia para a retirada de um hematoma craniano, em decorrência de uma queda doméstica. Suas condições clínicas pioraram nas últimas semanas, levando à instalação de um quadro de insuficiência renal grave. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra compareceram ao velório do empresário. Para o presidente, a morte de Frias é uma perda irreparável para a imprensa brasileira. O presidente ressaltou a cobertura do jornal Folha de S.Paulo durante as greves dos metalúrgicos no final da década de 70 e a campanha das Diretas Já, liderada pelo jornal, como fundamentais para consolidação da democracia brasileira. "Ele conseguiu fazer da Folha de S.Paulo um jornal quase que obrigatório para aqueles que queriam ler uma imprensa isenta e crítica", disse. "A Folha sempre se pautava por não ser chapa branca, mas também não deixava de reconhecer as coisas boas que o governo fazia", acrescentou. Disse também que Octavio Frias "foi um conselheiro nos momentos difíceis e complicados e de decisões importantes". Entre as autoridades e personalidades que comparecem ao velório, destacam-se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito Gilberto Kassab, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, os ex-ministros Luiz Fernando Furlan e Celso Lafer, os deputados e ex-ministros Delfim Netto e Antonio Palocci, o deputado e ex-governador Paulo Maluf, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, o presidente executivo do Bradesco, Marcio Cypriano, o empresário Antonio Ermírio de Moraes, e os jornalistas Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo, e Boris Casoy. Presentes também o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, o senador Romeu Tuma, o ex-senador Jorge Bornhausen e o rabino Henry Sobel. Imprensa Um dos principais personagens da imprensa brasileira, Octavio Frias de Oliveira teve uma história marcada pelo empreendedorismo. Fez um pouco de tudo até comprar um jornal, a Folha de S. Paulo, uma decisão que, aos 50 anos de idade, mudou sua vida. Pagou com cheque, numa sexta-feira 13, agosto de 1962, avisando que o dinheiro só estaria no banco três dias depois. Antes, ele foi office-boy, vendedor de aparelhos de rádio, funcionário público, incorporador imobiliário, banqueiro. O empresário Octavio Frias de Oliveira era publisher do Grupo Folha, que engloba os jornais Folha de S. Paulo, a Folha Online, o portal UOL, o jornal Agora SP, o Instituto Datafolha, a editora Publifolha, a gráfica Plural e o diário econômico Valor, em parceria com as Organizações Globo. Faro de jornalista Embora sempre fizesse questão de dizer que era empresário, Frias ?tinha alma e faro de jornalista?, observa o repórter Ricardo Kotscho, que trabalhou diretamente com ele. ?Por isso, costumava chamar à sua sala, independentemente da função que exerciam, profissionais de diferentes áreas da redação?, escreveu Kotscho em seu livro Do Golpe ao Planalto. Entre esses jornalistas, destaca-se o nome de Cláudio Abramo, braço direito de Frias, que gostava de discutir com ele sobre socialismo e capitalismo. Frias sabia ganhar dinheiro, mas não era homem de luxos nem de coisas supérfluas. Costumava usar roupas velhas, sem nenhuma vaidade. ?Dinheiro só terá sentido enquanto estiver, de alguma forma, a serviço da sociedade?, ensinava aos filhos, aos quais transferiu cedo a condução dos negócios. Isso jogou sobre eles um ?peso um pouco massacrante?, observou Otavio Frias Filho, diretor de redação desde 1984. ?Pus os filhos para trabalhar já há algum tempo?, disse o empresário no fim da vida, satisfeito com essa decisão. Sorte e trabalho Ao receber o prêmio Personalidade da Comunicação 2006, em maio, Frias fez um balanço positivo de sua trajetória. ?Tive algum êxito como empresário. Consegui dar minha modesta contribuição no grande trabalho coletivo de criar riquezas, gerar empregos, fortalecer empresas e lanças novos produtos. Atribuo esse êxito ao trabalho perseverante e a alguma sorte?, declarou em seu discurso. Dizia que cometeu muitos pequenos erros, mas nenhum grande, porque sempre foi muito cauteloso. Não se arrependia de nada, ?faria tudo igualzinho?, mas não compraria a Folha, ?porque não teria dinheiro para pagar o que ela vale hoje?. Ao se aposentar, continuou a se interessar pelo dia-a-dia do jornal. Acompanhava de perto os editoriais, discutia alguns assuntos específicos com os filhos e participava da orientação geral, mas sem função executiva.

Agencia Estado,

30 Abril 2007 | 13h14

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