WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

‘O rei do Brasil’

Governo de Michel Temer vive uma rebelião contra o ministro Moreira Franco

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 03h00

No dia em que se comemora a Proclamação da República, o governo de Michel Temer vive uma rebelião contra um ministro descrito por seus pares como candidato a “rei do Brasil”.

A malograda ideia de reforma ministerial ampla para quem for candidato em dezembro deflagrou reação generalizada e imediata de todos os partidos, e deve ser abortada tão rápido quanto surgiu no horizonte. O mentor da ideia, dizem ocupantes de vários blocos da Esplanada, foi Moreira Franco.

Se já havia uma antipatia difusa em relação ao titular da Secretaria-Geral da Presidência, ela se acentuou nas últimas semanas, desde que Moreira concentrou mais atribuições, como coordenar o “Avança Brasil” e cuidar da publicidade oficial. Agora, dizem colegas, quer nomear “integrantes do segundo escalão” para “mandar em todos os ministérios”.

A revolta ganhou um aliado de peso: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, apesar do parentesco com Moreira, fez chegar a Temer a contrariedade da base com a ideia de que ministros que o ajudaram a arquivar as duas denúncias de Rodrigo Janot serão escanteados na hora em que começarão a “colher” frutos das políticas implementadas em suas pastas.

Ocupantes do primeiro escalão, lembram auxiliares de Temer, ficariam “na chuva”, sem foro e expostos à 1.ª instância da Lava Jato, como Marcos Pereira (Desenvolvimento) e Gilberto Kassab (Comunicações). Dada a reação à ideia de antecipar a reforma, o mais provável é que se acomode a situação do PP – que deve ganhar Cidades, mas pode perder Agricultura, Saúde ou o comando da Caixa – e tudo o mais fique como está.

RUMO A 2018

Alckmistas usam ‘vacina’ para evitar rompimento com PMDB

Preocupados com a possibilidade de a saída do PSDB do governo levar o PMDB a investir em uma candidatura que defenda o “legado” de Temer, como defendeu Romero Jucá, aliados de Geraldo Alckmin lançaram um discurso de vacina. Passaram a martelar que o partido fará a defesa “incondicional” das reformas e ainda abrirá “espaço” para que o presidente use os espaços no governo para pacificar a base.

NINHO EM CHAMAS

Governador tenta costurar nome de Doria ao governo

Descrito por dois de seus secretários como portador de “estômago de avestruz”, Alckmin reforçou nos últimos dias a costura pela candidatura de João Doria Jr. ao governo de São Paulo. Mesmo tendo sido surpreendido pela campanha do prefeito à Presidência, Alckmin tem dito que ele é a melhor opção para agregar os partidos e ajudá-lo na caminhada para o Planalto. Falta convencer Doria, que teria de renunciar à Prefeitura sem a garantia de que seria aclamado na convenção, meses depois.

TÚNEL DO TEMPO

Kassab sonha reeditar dobradinha com Serra

Principal mentor da candidatura de José Serra ao governo paulista, que enfrenta resistências internas, Gilberto Kassab trabalha em causa própria: o ministro sonha em reeditar a chapa vitoriosa à Prefeitura em 2004, como vice do tucano.

AGORA OU NUNCA

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